Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/11/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a cultura do cancelamento apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ineficácia das punições para crimes virtuais, quanto da falta de empatia de grande parte dos internautas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a ineficácia das punições para crimes virtuais deriva da baixa atuação das autoridades, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de atuação das autoridades. Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos) revelou que Brasil é o 2º país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de empatia dos internautas como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, em 2016 a Safernet, uma organização não governamental (ONG), recebeu diversas denúncias de crimes que ocorreram no campo virtual. Dessas acusações, 39,4 mil páginas da internet foram denunciadas por violar os direitos humanos. Nesses conteúdos, foi possível identificar comentários racistas, intimidadores e com incitação à violência. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de empatia contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis devem ser tomadas para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigiar a cultura do cancelamento, necessita-se de forma urgente, que o tribunal de contas da união redireciona capital, que por intermédio do governo federal, será revertido em politicas públicas que visarão combater a onda do cancelamento, e assistir suas vítimas de forma eficiente, por meio de ações sociais. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo da problemática, e a sociedade alcançará a Utopia de More.