Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/11/2020
O termo “cultura do cancelamento” surgiu recentemente nas redes de comunicação como meio de criticar condutas sociais inadequadas realizadas por figuras de destaque na contemporaneidade e exigir a tomada de atitudes por parte das autoridades. Nesse contexto, a cultura do cancelamento atua com importante papel na luta e difusão de conhecimento sobre problemas atuais, porém é inegável que muitas vezes o cancelamento não é justo e profundamente transformador.
Mormente, o uso do cancelamento não só expõe atos de racismo, violência e outras mazelas praticadas por empresas ou personalidades de relevância social, como também cobra autoridades políticas e econômicas uma solução para os problemas. Sob esse aspecto, a cultura do cancelamento é um mecanismo que auxilia no estabelecimento do debate democrático entre o governo e a sociedade, o que segundo o filósofo Habermas é indispensável para a consolidação social.
Ademais, o cancelamento conduziu a população a estabelecer rígidos padrões de análise e a condenar toda ação que foge a tais moldes, transformando-o em um meio ineficiente de mudança social. Desse modo, ao analisar o caso do cantor Wilson Simonal que foi “cancelado” por ser considerado um informante durante a época da ditadura militar, verifica-se que a aplicação do cancelamento não é sempre justa.
Destarte, em reflexão dos fatos apresentados, afirma-se que a “cultura do cancelamento” apesar de conferir certa importância no debate democrático não é de todo confiável. Portanto, urge que o Ministério da Cidadania crie um projeto de lei, por meio do Senado, que forneça palestras e estabeleça debates acerca do assunto, principalmente para os jovens. Dessa forma, espera-se alcançar uma sociedade consciente e praticante da discussão democrática.