Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/11/2020

A globalização promoveu a difusão do acesso a internet e consequentemente, aumentou a quantidade de usuários nas redes sociais. Entretanto, a liberdade de expressão proporcionada por essa ferramenta foi distorcida ao longo dos anos e transformou-se na cultura do cancelamento. Logo, o que antes tinha o intuito de promover justiça social, hoje, é baseado na intolerância de visões opostas e ao linchamento social. Isso ocorre não apenas devido ao pensamento individualista característico da sociedade contemporânea, mas também pela ausência de dialogo entre os indivíduos.

É primordial ressaltar que o pensamento individualista dos indivíduos, é um dos principais responsáveis pelas mudanças na intenção do cancelamento virtual. Isto é, o movimento começou como uma forma de chamar atenção para casos como o feminismo e o combate ao racismo, ou seja, para amplificar a voz de grupos oprimidos e desconstruir antigos hábitos. Entretanto, o movimento mudou de propósito quando as pessoas utilizavam a “cultura do cancelamento” para propagar discursos de ódio e passaram a ditar o que é certo ou errado. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman e sua teoria sobre “modernidade liquida” isso ocorre, pois as relações sociais estão cada vez mais frágeis e efêmeras, tendo em vista que o individualismo e a falta de empatia são as principais características da sociedade contemporânea. Logo, as pessoas deixam de pensar em como suas atitudes ou palavras podem afetar a vida de outra pessoa de forma negativa.

Concomitantemente a isso, a ausência de dialogo entre os indivíduos também é responsável pela problemática em questão. Isso ocorre porque, o cancelamento descarta qualquer possibilidade de dialogo, sem deixar chances do individuo se retratar ou mudar o seu comportamento. Isto é, o movimento, atualmente, também pode acontecer por coisas banais como, por exemplo, dizer que não gosta de algo muito popular ou utilizar um termo equivocado. Desse modo, as pessoas não levam em consideração que determinado individuo fez um comentário considerado errado por ignorância, apenas promovem o “linchamento social”. Não é atoa que segundo a socióloga Hanna Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de enxergá-la como errada. Tal fato exemplifica porque a cultura do cancelamento tornou-se algo comum no mundo virtual.

Fica claro, portanto que medidas devem ser tomadas para solucionar a problemática em questão. Logo, cabe aos provedores responsáveis por administrar redes sociais, disseminar conteúdos de conscientização em suas plataformas. Assim, diferenciando sobre o que são lutas a favor de causas importantes, do que é apenas perseguição e discurso de ódio, debatendo os limites de cada intervenção, a fim de ressignificar a cultura do cancelamento.