Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/11/2020
A filósofa Hannah Arendt, na obra “Euchmann em Jerusalém”, aborda a banalidade de atitudes malignas praticadas rotineiramente pela sociedade. Nesse sentido, estende-se a visão da autora para o ambiente cibernético, em que o linchamento virtual é naturalizado. Isso causa o desenvolvimento de transtornos emocionais nas vítimas dos ataques e contribui para a continuidade da violência estrutural, o que é um problema. Logo, urgem medidas que revertam esse cenário.
Em primeiro lugar, destaca-se o desenvolvimento de enfermidades emocionais nas vítimas do linchamento virtual. Sob esse viés, essa realidade hodierna vai de encontro ao proposto pela Organização Mundial da Saúde como “Saúde”, que é um estado pleno de bem-estar físico, emocional e social, visto que vulnerabiliza e expõe os indivíduos perante à sociedade. Consequentemente, algumas patologias tendem a serem originadas nos cidadãos que sofreram o cancelamento, como a depressão e a ansiedade patológica, traumatizando-os. Dessa forma, necessita-se de medidas gratuitas que auxiliem a recuperação mental dos cidadãos que foram difamados.
Em segundo lugar, a propagação de ódio na internet contribui para a manutenção da violência estrutural. Nesse parâmetro, a filósofa Hannah Arendt, na obra “Eichmann em Jerusalém”, aborda a banalização do mal quando é praticado rotineiramente, como ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, em que o comportamento antissemita foi naturalizado pelos alemãs. Em um realidade análoga, hoje, tem-se a aceitação do pejorativo linchamento virtual, que contribui para o enraizamento de atitudes agressivas na sociedade, visto que se torna mais uma via de expressão de ódio, tornando-se uma problemática. Desse modo, intervenções que resolvam o impasse são emergentes.
Portanto, urgem soluções que resolvam o agressivo cenário cibernético contemporâneo. Destarte, a fim de minimizar os impactos socio-emocionais causados nas vítimas da difamação virtual, a UNICEF, em parceria com ONGs que atuam em prol da defesa dos direitos humanos, deve fazer sessões de terapia em grupo, virtuais e vratuitas, apresentadas por terapeutas voluntários, direcionados para esses indivíduos, recuperando-os emocionalmente. Paralelamente, as Escolas devem discutir sobre a importância do comportamento empático no ambiente virtual durante as aulas de Sociologia, o que reduzirá a propagação de ódio no meio cibernético. Por fim, a mentalidade social agressiva vigente será combatida.