Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/11/2020
Anos atrás, a fotografia de um urubu ao lado de uma criança sentada no chão ganhou grande repercussão mundial. Após o sucesso da obra, o fotógrafo recebeu duras críticas por não ter ajudado a criança, o que suspeitam ser o motivo do suicídio do artista. Atualmente, essas críticas contra uma conduta considerada errada ganharam a internet, impulsionadas pela polarização política vivida no Brasil, e muitos internautas sofrem com esses ataques, que podem gerar graves consequências psicológicas. Diante disso, é flagrante o desafio para combater esse comportamento, que é prejudicado tanto pela negligência de instituições sociais quanto pela ineficácia de ações políticas.
Em princípio, muitas pessoas, por não conhecerem os malefícios dos ataques virtuais e guiadas pelo sentimento de revolta gerado pela discordância com a publicação de um certo indivíduo, organizam-se para gerar o chamado “cancelamento” desse. Esses ataques, porém, são injustos, visto que, caso a publicação configure crime – por exemplo, racismo - deve ser tratado pelo Estado sob a máxima “ninguém é culpado até que se prove o contrário”, e caso não configure, não cabe julgamento, já que a liberdade de expressão é um direito constitucional. Nesse sentido, verifica-se que ainda há muita negligência acerca da justiça em meios digitais por parte dos brasileiros.
Ademais, no contexto relativo à questão pública, é flagrante a ausência de políticas suficientemente efetivas para combater essa prática. Prova dessa debilidade pode ser verificada com frequência na plataforma digital Twitter, onde diariamente internautas sofrem cancelamento, como foi o caso do influenciador Pirula, que expôs sua opinião sobre a política brasileira e recebeu diversos ataques, o que exibe a atual gravidade do problema. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver essa questão no Brasil.
Portanto, com o objetivo de acabar com a cultura de cancelamento e, assim, tornar a internet um lugar seguro, compete a mais famílias e setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos e documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com os perigos dos ataques virtuais. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas para garantir que os internautas brasileiros não sofram com essa cultura, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar mais recursos específicos para contemplar essa pauta.