Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/11/2020
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More é caracterizada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizada pela ausência de problema. No entanto, a realidade pelo Brasil contemporâneo é oposta àquela imaginada pelo autor, em que os impactos da cultura do cancelamento dificulta na construção de um país melhor. Nesse sentido, esse cenário antagônico é fruto do individualismo da sociedade e da omissão estatal.
Com efeito, o ato de “cancelar” na sociedade contemporânea está desprovida de interesse de educar e ajudar o outro a entender o problema no seu discurso. Com isso, a pós-modernidade sem empatia e individualista não enxerga as consequências que pode causar na vida do outro, na qual vai de perder emprego até suicídio. Isso pode ser explicado na Idade Média com a lepra, as pessoas eram mandadas para o leprosário, ninguém queria sua melhora, apenas que não contagiassem mais ninguém. Sobre esse viés, corrigir de forma educativa é a melhor forma de educar determinados pensamentos postados na internet e não com o cancelamento que é excluir o outro da sociedade.
Outrossim, é válido destacar que a omissão estatal em fazer ações para erradicar a cultura do cancelamento contribui para a desordem. Dessa forma, para o jornalista Gilberto Dimenstein, tal fato é transcrito nas ideias de “Cidadãos de Papel”, uma vez que os direitos figuram tão somente na teoria e não na prática, como o direito à liberdade, previsto no artigo quinto da Constituição. Logo, essa má atuação do Estado prejudica na liberdade de expressão na internet, os indivíduos vivem em uma “bolha” social, na qual qualquer pensamento contrário é motivo de lixamento nas redes sociais, consequentemente, garante a condição de subcidadania a diversos indivíduos.