Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 02/12/2020
Em meados de Agosto de 2020, o blogueiro Léo Dias e a cantora Anita protagonizaram uma verdadeira “batalha de cancelamento”, cada qual incitando sua base de seguidores uns contra os outros. Tal evento chamou a atenção por seu conflito de narrativas, que sem embasamento ou fundamentada em eventos antigos mostrou o interesse apenas em quem será cancelado primeiro. Nesse sentido, o debate a respeito da cultura do cancelamento é indispensável para minimizar seus efeitos negativos, evitando o protagonismo de aproveitadores e cancelamentos errôneos.
Em primeira análise, o aumento de engajamento nas mídias sociais tornou-se escada para a fama. Dessa forma, pessoas anônimas ou subcelebridades nutrem o desejo de fama a qualquer custo, não se importando com a possibilidade do detrimento da imagem alheia. Assim, promover cancelamentos é uma ferramenta poderosa para os holofotes. Um caso recente, apelidado de “Caso Neymar”, ganhou grande repercussão, afinal, uma jovem alega sofrer um estupro por parte do atleta e antes de aberta as investigações contratos já foram reincididos. Tal incidente mostra a necessidade do debate.
Ademais, outra grave face do cancelamento virtual é o sofrido por anônimos. A BBC Brasil compilou casos ocorridos erroneamente com pessoas pouco conhecidos fora de comunidade, os números chamam a atenção para a facilidade de deletar chances profissionais e exclusão social de pessoas que muitas vezes são fotografadas fora de contexto fazendo símbolos que elas mesmo desconhecem, como o caso nos Estados Unidos, onde um motorista perdeu o emprego após ser fotografado esticando os dedos, que formaram um símbolo que o mesmo desconhecia.
Portanto, torna-se claro a necessidade de uma ação energica para minimizar os efeitos negativos da cultura do cancelamento. Para evitar os impactos negativos em inoscentes, urge que a as mídias sociais, como o Instagram e o Twitter promovam campanhas de conscientização, enfatizadas na busca pela verdade e na evolução do cidadão, mudando a postura do julgamento e aconselhando. Tais agentes, devem utilizar influenciadores, aumentando o engajamento do público. Somente assim, casos como o de Léo Dias e Anita serão cada vez mais esporádicos.