Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/12/2020

Conforme Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre, pois, uma vez lançado ao mundo, ele é responsável por tudo o que faz. Nessa perspectiva, é evidente que, o ser humano está sujeito a todo tipo de crítica e consequência de suas atitudes, dito isso, nos tempos atuais uma cultura de cancelamento tem se agravado cada vez mais na sociedade e no meio virtual, prejudicando a saúde mental daquele que comete um erro. Logo, é preciso destacar a ascensão da tecnologia e a liberdade de expressão de usuários em meio as redes sociais.

Em primeira análise, vale ressaltar que a cultura do cancelamento se dá grandemente em meios virtuais, o avanço da tecnologia e as redes de comunicação criadas facilitam de maneira expressiva o cancelamento de usuários, que utilizam até mesmo como trabalho as plataformas. De acordo com a Pesquisa TIC domicílios 2019, só no Brasil há 134 milhões de usuários que tem acesso a internet, ou seja, milhares de pessoas estão conectadas, sabendo a todo momento o que acontece no mundo virtual e o que cada pessoa faz nele. Nesse sentido, o ser humano é livre para publicar o que quiser, mas ao mesmo tempo, é vigiado por uma comunidade inteira.

Por conseguinte, há aqueles usuários que prejudicam o termo “liberdade de expressão”,se colocando no direito de ofender e humilhar alguém justificando que é livre para opinar o que quiser. Segundo Augusto Branco, as pessoas gostam do ideal de liberdade de expressão até o momento em que começam a ouvir aquilo que elas não gostariam que dissessem a respeito delas. Nesse sentido, é perceptível que aquele que “cancela” não quer ser “cancelado”, desse modo, é inaceitável a falta de respeito que tem se intensificado nas redes sociais, esses meios de comunicação foram feitos para aproximar pessoas e não para desprezá-las por cometer qualquer tipo de erro.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para melhorar o quadro atual. Para que as pessoas tenham mais respeito e empatia pelo próximo, urge que o Ministério da Educação ,juntamente com o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, promovam palestras e aulas nas escolas sobre a cultura do cancelamento e o como ela prejudica as relações sociais, a fim de, proporcionar uma nova visão sobre a atual realidade, destacando a importância de ter respeito em qualquer forma de comunicação. Ademais, é essencial que tais palestras e aulas sejam feitas também de forma online, para que alcance cada vez mais um número maior de espectadores, fazendo assim o mundo virtual cancelar essa cultura. Somente assim, será possível ser livre para errar sem ser julgado por milhares de pessoas.