Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/12/2020

Com o advento da globalização e das novas tecnologias, a humanidade passou a viver profundas e intensas mudanças em seus modos de interação, desenvolvimento e convívio social. Se por um lado, o surgimento da internet possibilitou a quebra de barreiras e a difusão do conhecimento em escala global. Por outro, a divulgação de Fakes News e de julgamentos polarizados têm gerado o que especialistas chamam de Cultura do Cancelamento; um movimento digital de posicionamentos que, quando intencionado de forma radical, pode gerar graves consequências à reputação e moral de indivíduos ou grupos idôneos. Com isso, surge a necessidade de uma discussão social sobre os efeitos da cultura do cancelamento virtual, fato que se configura como um importante dilema atual.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, segundo Aristóteles, “a política deve ser aplicada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade”. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, apesar da instituição do Marco civil da Internet em 2014, não há leis especificas que fomentem a criação de campanhas e disciplinas escolares voltadas para educação digital dos cidadãos de acordo com os padrões cívicos e morais do país. Haja vista que boa parte da sociedade encontra na internet um mundo destituído de regras. O que favorece o compartilhamento de notícias falsas e consequente promoção de cancelamentos injustos. Logo, promover a construção de um pensamento social de empatia, investigação dos fatos e promoção da verdade é essencial para o equilíbrio da questão.

Por conseguinte, cabe, também, salientar que, apesar dos inúmeros problemas e males oriundos do mau uso dos meios de comunicação, há outro víeis importante que deve ser levado em consideração: o surgimento do amplo debate em torno de denúncias de atos criminosos antes banalizados ou socialmente ignorados; gerando mobilizações e chamando a atenção da justiça para o cumprimento da lei. Um bom exemplo disso foram as manifestações populares do Movimento Vidas Negras Importam, em 2020, que unificaram, por meio das redes sociais e canais de comunicação, milhares de pessoas em protestos pela democracia. Dessa forma, usar os canais midiáticos como porta-voz de denúncias tem se mostrado um importante mecanismo de justiça social.

Portanto, diante dos fatos supracitados, é mister que órgãos governamentais e de ensino trabalhem em conjunto para o equilíbrio da questão. Para isso, o Estado deve, por meio do Ministério da Educação (MEC) aliado a movimentos digitais inclusivos como os canais de Youtube “Quando Pretos falam” e “Quebrando o Tabu”, criar e divulgar propagandas oficiais que visem a reeducação do pensamento coletivo a respeito do tema, priorizando, sempre, a promoção de debates embasados unicamente na verdade e na justiça. Ademais, a Escola deve incluir em toda sua grade curricular, aulas e palestras sobre o uso adequado das redes sociais e o seu importante papel na criação de uma sociedade equilibrada. Somente assim, reeducando e evitando a polarização por meio do debate, construir-se-á um Brasil mais justo e saudável.