Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/12/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a cultura do cancelamento no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país. De antemão, vê-se que o Poder Público tem se definido como negligente ao não conscientizar a população sobre o direito à liberdade de expressão. Isso porque uma influenciadora digital, por exemplo, pode ter interesse em expor sua opinião sobre determinado assunto. Contudo, entendre que pode ser interpretada de forma errônea e, por isso, ser “cancelada” tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a cultura do cancelamento. Como prova disso, percebe-se uma inércia de parte da população ao não lutar por assistência estatal, visto que falta oferecer auxílio psicológico às pessoas que são “canceladas”, prejudicando, dessa forma, a saúde mental estas. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, comprometendo, desse modo, o senso crítico deles.
Constata-se, finalmente, que a cultura do cancelamento deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras educativas ministradas por profissionais da área jurídica, realizada em praças públicas, objetivando, com isso, conscientizar a sociedade sobre o direito à liberdade de expressão e demonstrar a importância do respeito aos pronunciamentos diversos. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, promovidas por organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado pelo meio do Ministério da Saúde com a distribuição de vagas no Sistema Único de Saúde (SUS ) para atendimento com psicológico às pessoas que foram “canceladas”, com o objetivo de tratar da saúde mental delas. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de superação desse impasse.