Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/12/2020

Num episódio da série “Black Mirror”, retrata uma sociedade onde as pessoas serão atacadas por um enxame de abelhas se não seguirem as regras e expectativas, modificadas em laboratório e constituídas por terceiros. Fora do mundo das sérias de televisão, é fácil comparar com a situação atual, e como as pessoas são “canceladas” nas redes sociais, deixando de apoiar figuras públicas ou empresas. Em descoberta de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear uma prática virtual que já vinha acontecendo: o boicote a personalidades (famosas ou não) que cometeram alguma violência dentro e fora do espaço virtual. JK Rowling, Anitta, Taylor Swift, Steven Pinker e até o finado Raul Seixas, fazem parte de uma extensa lista de pessoas “canceladas” na internet, por diversos motivos, pressionadas como marcas a romperem contratos, e incentivando o não consumo de seus produtos. Segundo os pesquisadores, a abolição da cultura perdeu o sentido. Por exemplo, se um chefe de Hollywood que foi anteriormente acusado de abuso sexual foi cancelado, hoje, uma pessoa que considerou termos enganosos para se referir ao tema do universo LGBT + foi cancelada. Anna disse: “As pessoas aparecem por ignorância ou ficam confusas por fazerem parte de um grupo privilegiado.” Não é errado responsabilizar alguém por copiar o sexismo, o racismo, etc. A questão é que o cancelamento não deve ser o objetivo final, mas deve alterar a estrutura que produz esse comportamento. Em qualquer caso, o cancelamento é um atentado à reputação da vítima, que tem “condenação moral” e não tem direitos de defesa suficientes. Para aqueles que são atacados.