Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/12/2020
“Você pode ser cancelado por algo que você disse em meio a uma multidão de completos estranhos se um deles tiver feito um vídeo, ou por uma piada que soou mal nas mídias sociais ou por algo que você disse ou fez há muito tempo atrás e sobre o qual há algum registro na internet. E você não precisa ser proeminente, famoso ou político para ser publicamente envergonhado e permanentemente marcado: tudo o que você precisa fazer é ter um dia particularmente ruim e as consequências podem durar enquanto o Google existir”, definiu o colunista do The New York Times Ross Douthat em uma coluna sobre cancelamento há alguns dias. O fenômeno famoso que aconteceu também no Brasil, Durante uma entrevista em 2016, Biel chamou a repórter de “gostosinha” e afirmou: “Se te pego, te quebro no meio”. A jornalista divulgou o assédio, foi demitida e Biel foi massacrado nas redes sociais. Publicou um vídeo de desculpas, mas a internet não comprou. O contrato com a gravadora Warner Music foi rompido e ele chegou a perder 15 quilos. Ele desapareceu por um tempo e tentou retomar a carreira com o nome Gah, mas não deu certo. Outro caso famoso foi da blogueira, no fim de abril e em meio à quarentena da pandemia, a influencer fez uma festa à noite (e madrugada) com amigos e divulgou o encontro nas redes sociais. O gesto foi fortemente criticado pelos fãs. No dia seguinte, ela pediu desculpas e chegou a suspender a própria conta no Instagram, mas a sangria desatou: ela perdeu contratos publicitários com mais de 10 marcas e estima-se que sofreu um prejuízo de R$ 3 milhões.