Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/12/2020
Em julho de 2020, a autora J.K Rowling se juntou a um grupo de 150 pessoas em manifesto contra a chamada “cultura do cancelamento”. O fenômeno tem origem no ambiente virtual e consiste no linchamento em massa daqueles que expõem opiniões diferentes da politicamente correta, fator que transforma o interesse de promover a defesa dos direitos humanos, animais e ambientais em silenciamento das entidades públicas. Dada a problemática, percebe-se a necessidade do debate acerca da eficácia do cancelamento na sociedade contemporânea, bem como dos aspectos desse movimento.
Frente a esse cenário, cabe relacioná-lo ao episódio “White Christmas” da série Black Mirror, em que os personagens podem bloquear para si a existência de pessoas indesejadas. Tal distopia assemelha-se à realidade ao passo que o acusado, antes de poder justificar suas ações, já é silenciado pela massa e mídia. Dessa forma, o cancelamento impossibilita o diálogo sobre o problema e a consequente reflexão e evolução do alvo no assunto que o levou à polêmica, provando a sua ineficácia.
Por outro lado, observa-se os diferentes aspectos do cancelamento. Esse movimento é comumente confundido com o ativismo em defesa de grupos oprimidos. Uma vez que o aumento da voz de minorias e das discussões em defesa destas gera o incômodo de intolerantes, os mesmos acusam os discursos de serem uma forma radical de cancelamento. É evidente, portanto, que a luta secular contra a opressão é importante e não deve ser minimizada à rebeldia.
Depreende-se, assim, que, para amenizar a radicalização do cancelamento, é necessário que os agentes midiáticos promovam, através de campanhas publicitárias em meios de comunicação de grande alcance social, a prioridade que o debate deve ter em relação ao linchamento. Isso deve ser feito com foco em depoimentos de figuras públicas mal-interpretadas que não tiveram direito de defesa, e, também, na diferenciação entre discursos ativistas e radicalização, para, assim, evitar a intolerância na sociedade contemporânea.