Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/12/2020

Em Julho de 2020, uma carta aberta contra a cultura do cancelamento foi publicada pela revista amaricana Harper’s, na qual 150 autores assinaram em que defendiam o livre debate sobre diversos assuntos. Paralelamente, essa prática tem como finalidade “eliminar” determinadas personalidades ou empresas, em razão de uma conduta reprovável. Todavia, tem o efeito contrário, tendo em vista que é realizada de maneira não civilizatória e injusta bem como é responsável pelo silenciamento dos indivíduos ocorrência da ausência discussão comprometendo a liberdade de expressão individual.

É relevante abordar, primeiramente, que a cultura do cancelamento é uma forma não civilizada de criticar preconceitos e condutas indecentes, haja visto que efetuada de modo hostil e intimidatório, principalmente pelo advento das redes socias, na qual é formado um “tribunal” capaz de julgar o que é certo do que é errado e simplismente “eliminar” o que for adverso á maioria. Nesse sentido, esse exercício está enraizado na sociedade como uma espécie de linchamento em razão de uma boa causa, segundo filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé. Dessa forma o julgado é meramente cancelado sem qualquer condição de defesa.

Paralelo a isso, vale também ressaltar que a escassez do debate de ideias provocado pela cultura do cancelamento prejudica a liberdade de expressão indivudual, tendo em consideração que a omissão e o silenciamento de qualquer de suas opiniões torna-se presente pelo medo da reação do que pode ocasionar pelo julgamento do “tribunal” das redes socias. De acordo com o ministro da educação  Abraham Weintraub, o direito da exposição de concepções constitui um dos fundamentos essênciais de uma sociedade democrática. Nesse sentido, as pessoas públicas ou não tal como as empresas preferem não se manifestarem o que compromete um de seus direitos primordiais estabelecido pela Constituição.

Tendo em vista o que foi discutido sobre é necessário, portanto, que o Ministério da Educação desenvolva uma grade curricular acerca da educação nos meios socias digitais, que deve ser estabelecida no ensino básico e superior, tanto nas instalações públicas e privadas, por meio de cursos gratuitos, relativo a temática, para a instrução dos educadores, a fim de proporcionar aos estudantes o conhecimento de como agir de forma adequada neste âmbito. Além disso, a sociedade civil deve debater sobre o tema da cultura de cancelamento assim como da importância da liberdade de expressão, por meio de palestras com a participação de todas as faixas etárias. Assim, a desconstrução dessa prática não civilizada será realmente efetiva.