Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/12/2020
Na obra “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, são retratadas as transformações sociais ocorridas após o século XIV, uma vez que, as tecnologias sobrepuseram as relações interpessoais e, consequentemente, ocasionaram uma instabilidade nos laços humanos. Nesse sentido, com o passar dos anos, foram aflorando vulnerabilidades no convívio em sociedade e, logo, surgiram questões, como o debate acerca da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Assim sendo, tal fato acontece não só pela ascensão tecnológica, mas também pela ineficácia governamental.
Em primeira análise, vale pontuar que, o advento da internet, trazido em meados do século XX pela Terceira Revolução Industrial, possibilitou avanços em diversos âmbitos sociais, sobretudo, na área da comunicação. Contudo, conforme a “BBC”, os cidadãos, principalmente famosos, tendem a ser julgados pelas ações e publicações que realizam nos setores midiáticos, especialmente, nas redes sociais. Diante disso, tais julgamentos e ofensas perduram no espaço cibernético por vários anos, causando constrangimentos e denigrindo a imagem dos indivíduos cancelados. Desse modo, é inaceitável que essas práticas nocivas se façam presentes na realidade brasileira, tornando-se, assim, imprescindível, medidas para resolução desse impasse.
Ademais, cabe salientar que a ineficácia governamental também está entre os principais fatores conducentes da cultura do cancelamento. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos possuem direito ao respeito. Todavia, observa-se que o poder público se faz displicente com o cumprimento das normas garantidas constitucionalmente, visto que, a falta de acompanhamento de informações divulgado na internet, somada à ausência de políticas públicas de conscientização aos agressores, se desdobra na perpetuação de comentários ofensivos e prejudiciais à reputação pessoal e profissional das vítimas. Nessa lógica, é válido salientar que esse descaso estatal vai contra o ideal do filósofo Friedrich Hegel, que afirma que é dever do estado proteger os seus filhos.
Portanto, em virtude dos fatos citados, fica evidente a necessidade de ações para combater a cultura do cancelamento. Sob esse viés, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio da articulação de políticas públicas e verbas governamentais, promover palestras e campanhas conscientizadoras sobre os malefícios que os ataques cibernéticos podem causar ao indivíduo, com o intuito de diminuir o número de ataques virtuais. Outrossim, com a finalidade de melhorar as relações sociais, essas palestras devem ser apresentadas nos centros educacionais e ministradas por profissionais especializados em psicologia. Esses especialistas devem expor, através de dinâmicas, as consequências de ser cancelado na sociedade moderna. Em suma, o problema seria resolvido de maneira eficaz e democrática.