Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/12/2020
Apesar de não ser amplamente discutida, a cultura do cancelamento destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura hodierna, como um problema expressivo. Diante disso, é imprescindível que essa problemática seja solucionada, a partir da análise da má formação socioeducacional do cidadão e da escassa abordagem midiática.
A princípio, é fundamental compreender que o sistema educacional brasileiro erra ao não debater a cultura do cancelamento. Nesse sentido, conforme Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação precisa estimular o senso crítico e a interpretação de mundo. Desse modo, constata-se que a escola deve preparar os estudantes para entender e lidar com essa cultura, para que, com questionamentos advindos da criticidade, busquem intervenções que mudem essa realidade. Entretanto, isso não tem ocorrido, já que a grade curricular “Bancária” - conteudista - não explora a área de gerar uma consciência cívica sobre esse problema.
Somado a isso, é importante ressaltar que a insuficiente exposição da cultura do cancelamento influi sobre sua permanência. Nessa perspectiva, de acordo com Michel Foucault, filósofo francês, temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Dessa maneira, verifica-se que a mídia precisa informar devidamente à população sobre essa cultura, para propor mudanças com debates sobre possíveis intervenções e elevar o nível de informação da população. Mas, a realidade é caracterizada pela escassa abordagem e pelo silenciamento sobre esse impasse, que se tornam fatores determinantes em sua persistência.
Portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática devem ser tomadas. Posto isso, o Ministério da Educação deve criar uma campanha de conscientização sobre a cultura do cancelamento, que ocorrerá nas escolas no período extraclasse por meio de palestras e debates com psicólogos e vítimas desse cancelamento. Essa campanha será transmitida ao vivo por redes de radiotelevisão para que, além dos estudantes, a população em geral também tome conhecimento sobre esse impasse. Espera-se, com essas medidas, que cada vez mais a sociedade civil entenda questões relativas a essa cultura e problemas que ela pode acarretar.