Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/12/2020
O médico Simão, personagem na obra “o alienista” de Machado de Assis, condena todos indivíduos à loucura, como se estivessem certamente fadadas à doença mental. Da ficção à realidade, é possível estabelecer a denúncia de comportamentos retrógrados, relativos essencialmente à cultura do cancelamento. Neste contexto, a problemática torna-se emergencial tanto pelo uso indevido da liberdade de expressão, quanto pelo cancelamento sem embasamento.
Nessa perspectiva, o cancelamento por preconceito comprova o conceito criado por Erasmo de Roterdã na obra “Elogio da loucura”. Desse modo todas as ações da época, assim como as atuais, não são obras humanas, mas sim da loucura em seu domínio. Fato é que os cidadãos utilizam do direito à liberdade de expressão para discriminar outrem com discursos preconceituosos e agressivos. Prova disso os grupos mais atacados geralmente são de cultura ou raça diferente dos “canceladores”, logo isto é obviamente é um ato de completa falta de lucidez.
Sob esse viés, parte-se do pressuposto de que, no pensamento do filósofo francês Foucault, o cancelamento sem embasamento é uma prisão invisível e comportamental, à qual a sociedade está condicionada. Em sua tese de doutorado “História da loucura na Idade Clássica”, Foucault busca escavar o subsolo na consciência moderna na loucura para abordar a estrutura de exclusão que a sustenta. Nessa concepção, as pessoas mais atacadas e excluídas são figuras públicas, que eventualmente são simplesmente canceladas sem ter o direito do diálogo, para que elas possam se explicar, causando assim alguns cancelamentos negativos e sem provas concretas.
Portanto, segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, na obra “O ser e o nada”, o ser humano está fadado a ser livre, porém essa liberdade gera um preço: o homem é diretamente responsável por suas ações. Sendo assim, o Poder Judiciário deve fiscalizar se a Lei Marco Civil está sendo cumprida, tal lei regula o uso de internet no Brasil. Espera-se, com essa ação, que a punição Social seja dada de forma coerente, buscando a diminuição do discurso de ódio e a minimização da cultura do cancelamento sem base em fatos. Nesse sentido, o Brasil sairá de sua posição alienada afastando-se do cenário de Machado de Assis.