Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/12/2020
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no final do século XX, possibilitou o avanço tecnológico e a consequente popularização dos eletrônicos e das redes sociais. Esses sites têm como função inicial promover o lazer a partir da interação entre pessoas de diversos lugares. No entanto, assim como ocorre na realidade, os discursos de ódio também invadiram o mundo virtual, por meio da cultura de cancelamento, que tem em sua causa a motivação da resolução de problemas cotidianos e como consequência o desenfreado julgamento hostil. Com isso, deve-se debater o papel da sociedade nessa conduta.
Inicialmente, é importante destacar que a internet gerou uma população com mais acesso a informação. Nesse contexto, problemáticas sociais como o racismo passaram a serem abordadas e não toleradas no mundo virtual. A partir desse viés, o sociólogo Roberto Crema desenvolveu o conceito de Normose, que classificava ações realizadas pelos indivíduos que eram considerados normais como patológicas. Tal cenário digital demonstrou a falta de paciência dos seres humanos em ensinar e conscientizar sobre ações incorretas, o que tornou esses sites locais no qual errar não é permitido, já que o “tribunal da internet” está sempre ativo, e o linchamento de pessoas ocorre sempre, com forte repressão e ódio. Assim, fica evidente que a cultura do cancelamento expõe uma das mais graves mazelas históricas: a maldade humana.
Em consequência de tal panorama é exposto que os problemas psicológicos que já são existentes se potencializam. A esse respeito, a Organização Mundial da Saúde classificou a depressão como o mal do século e relatou que, no Brasil, existem mais de 12 milhões de pessoas convivendo com essa doença grave. A partir disso, é evidenciado que a internet pode se tornar um tóxico local para esses mais vulneráveis, já que a empatia não convive com os ataques, e o cancelamento ocorre antes e de forma independente do estado de saúde do cidadão. Com efeito, fica claro que é incoerente usar o discurso de ódio para acabar com mazelas quando é ignorada a saúde mental do próximo.
Portanto, fica evidente que o papel da sociedade deve ser de valorização da interação saudável entre os indivíduos e não o oposto. Nesse sentido, a escola, utilizando do seu papel de promover a cidadania, deve contribuir para acabar com o discurso de ódio entre as pessoas, atuando de modo a promover gincanas e campanhas que busquem aumentar a tolerância entre as crianças no mundo real e virtual, essas ações podem receber o nome de “O cancelamento mata”. Tais iniciativas ocorreriam a fim de combater a maldade e promover a empatia e a paciência humana, e com sorte, será possível viver em uma sociedade igualitária e livre da hostilidade.