Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/12/2020

O cancelamento digital e seus entraves ao progresso social

Em 1585 se deu o primeiro registro de um linchamento no Brasil, um indígena dizia ser papa e foi morto por uma multidão de fiéis que se sentiram ofendidos com a situação. Com a ascensão da internet, o cancelamento virtual tornou-se comum e, ao invés de atentarem contra a integridade física da pessoa julgada, apelam contra a moral dela. Apesar de levantar debates importantes, o modo como esses cancelamentos viralizam é preocupante, pois eles podem destruir vidas e promover o ódio como entretenimento.

Há um grande destaque sobre a pessoa que cometeu ou disse algo deplorável e, com o cancelamento, e como se a sentenciasse pena de morte moral, na qual a reinserção na sociedade não é possibilidade. O indivíduo pode perder o emprego, encontrar dificuldade em obter outro e, ainda, ficar suscetível a sofrer preconceito onde quer que vá por supostamente ser alguém com caráter sem conserto. Exemplo disso é o que ocorre em reality shows, aqueles que fazer ou falam algo muito inapropriado tendem a ter muito menos grandes contratos de publicidade.

Mesmo que alguns influenciadores digitais sejam responsáveis por dar aulas sobre as matérias que geram os cancelamentos virtuais, vê-se que esses fenômenos mais viralizam no Twitter e o grande destaque geralmente é o alvo do linchamento. Nessa rede social só é possível publicar 280 caracteres por vez, no máximo, o que evidencia que há dificuldade em construir análises profundas sobre os temas nela. Desse modo, percebe-se que o movimento está mais pautado no ódio como entretenimento do que em um possível caráter social educativo.

Portanto, diante do exposto, pode-se inferir que cabe ao corpo social não compartilhar publicações  em redes sociais que visem destruir a reputação das pessoas e sim espalhar aquelas que foquem nos debates sociais acerca dos assuntos repercutidos. Ademais, concerne aos que trabalham com as mídias digitais, principalmente, também basearem seus artigos sobre esses tópicos em um caráter construtivo e profundo que incentivem a reflexão. Com isso, será possível garantir que esse cancelamento virtual seja focado na crítica sobre atitudes e discursos e não no indivíduo que os pratica e, assim, assegurar uma cultura mais positiva que vise o desenvolvimento social no país.