Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/12/2020
A Inquisição da Igreja foi um movimento religioso de perseguição da Igreja Católica contra seus oponentes durante a Idade Média. Embora esse momento histórico tenha ficado para trás, no mundo globalizado do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao evidênciar-se movimentos de cunho difamatório. Sob essa perspectiva, torna-se imprescindível um debate crítico de análise sobre a cultura do cancelamento na sociedade, levando em consideração tanto o aspecto moral, no tocante às diferenças de opiniões, quanto o constitucional, atrelado à legislação brasileira.
É válido salientar, a princípio, o desvio ético associado ao assunto em destaque. Isso porque, de acordo com Anna Vitória Rocha, mestre em Ciências da Comunicação na USP, utilizava-se do cancelamento para aletar a sociedadede sobre um grave problema, como denunciar abusos sexuais executados por atores de televisão. Nesse sentido, diferente da antiga conjuntura, nos dias atuais, muitas pessoas são boicotadas na internet, por defender um posicionamento político diferente dos expressos pelas maiorias, como é o caso da cantora Anitta, cancelada em 2019, por não concordar com algumas políticas públicas de ensino. Desse modo, evidência-se uma mudança do papel ligado à temática em analise, uma vez que há o desvio de finalidade do mesmo.
Ademais, deve-se destacar também que embora o senso comum entenda o linchamento virtual como algo democrático por ser benéfico para a sociedade, isso está longe de ser verdade. Isso porque, basta apenas um entendimento errado por parte dos internautas, sobre uma declaração pública de alguém, para o início desses ataques virtuais. Assim, essa agressões, na maioria dos casos, possuem além de xingamentos, ameaças contra à vida humana. Em vista disso, o cancelamento torna-se antidemocrático, visto que esse fenômeno social vai ao desencontro do direito à vida previsto na Constituição Federal, sendo prejudicial para a própria comunidade.
Pontanto, a fim de amenizar a problemática em questão, medidas são necessárias. Para tanto, é Dever do Governo Federal, em parceria com o Ministério da Justiça, promoverem campanhas publicitárias de combate à cultura do cancelamento. Isso deve ser feito mediante a divulgação em horários nobres nas televisões e rádios, bem como nas revistas e jornais, para atingir o maior público possível. Soma-se a isso a presença de argumentos contrários à temática, com o intuito de demonstrar os malefícios dessa prática para a sociedade. Dessa forma, a solução citada contribuirá para um mundo mais tolerânte, diferente da Idade Média.