Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/12/2020

No período da Idade Média, pode-se afirmar que os Tribunais da Inquisição - responsáveis pela morte dos hereges na guilhotina - funcionaram como um processo de transição para a atual cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Paralelamente a isso, a realidade no cenário virtual brasileiro demonstra-se por meio de uma campanha difamatória contra aqueles que apresentam opiniões divergentes, o que configura o nocivo cancelamento de indivíduos nas redes. Por isso, para melhor entendimento acerca dos linchamentos virtuais no cenário brasileiro, é imprescindível a análise da liberdade de expressão, garantida por lei, assim como da mudança nos paradigmas da sociedade.

Em primeiro lugar, é imprescindível ressaltar que a cultura do cancelamento mantém-se muito presente na realidade digital do Brasil e do mundo. Nesse sentido, de acordo com a Magna Carta brasileira, “todo individuo tem direito a liberdade de expressão”, portanto, a cultura do cancelamento, responsável pela exclusão daqueles que divergem em opiniões, é um desrespeito à tal lei, além de representar um risco para a sociedade e para a ampliação do conhecimento dos indivíduos - que se dá através do contato com diferentes fatos e opiniões -. Diante disso, é importante que o Estado crie um algoritmo de fiscalização que democratize o conhecimento e disponibilize as divergências de opiniões nas redes midiáticas, possibilitando assim a tolerância entre os indivíduos.

Outrossim, pode-se afirmar que os adventos do processo de globalização e das redes sociais  modificaram os dogmas da sociedade. Assim, segundo o filósofo contemporâneo Zygmunt Baumann, “os tempos são líquidos, pois tudo muda rapidamente”. Sob essa análise, pode-se afirmar que o conceito de modernidade líquida avança conjuntamente com a cultura do cancelamento, já que essa é existente - com outras nomenclaturas, como foi o caso dos Tribunais da Inquisição - desde os primórdios da sociedade. Com isso, é urgente a conscientização da sociedade, através de campanhas desenvolvidas pelo Governo Federal brasileiro, a fim de minimizar os efeitos dos linchamentos virtuais.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar a situação da cultura do cancelamento na contemporaneidade brasileira. Para a conscientização da população acerca da problemática, urge que o Ministério Cidadania - responsável por assuntos pertinentes ao bem estar dos cidadãos - invista, por meio de verbas governamentais, em campanhas publicitárias que explicitem os malefícios da cultura do cancelamento e que demonstrem que a divergência de opiniões é necessária para a concretização de uma sociedade democrática, cumprindo assim com o dever estabelecido na Constituição Federal brasileira e evitando que as mortes causadas na Inquisição retornem para a sociedade.