Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/01/2021
De acordo com o escritor jesuíta Baltasar Gracián “Todas as coisas têm o seu tempo, e até os valores estão sujeitos a moda. Mas o sábio tem a vantagem de ser eterno. Se este século não o reconhece, os séculos futuros lhe farrão justiça”. Esta citação, quando relacionada a “cultura do cancelamento” na sociedade contemporânea, irompe um debate essecial a respeito das reais motivações e consequências geradas por este fenômeno recente.
A priori, é importante pontuar que a “cultura do cancelamento” caracteriza-se pela hodierna enxurrada de episódios embasados na sabotagem virtual de indivíduos ou instituições. Isto ocorre devido a posicionamentos e/ou ações destes consideradas ofensivas(por diverssos motivos, entre eles: a transgresão da moralidade presente no senso comum), não possuindo qualquer critério para tal, se não a opinião dos acusadores. Esta falta de parâmetro, unida ao potencial atrativo de uma tendência, acarreta ocorridos absurdos- pois diverssos internaltas interferem de maneira inapropriada nas escolhas estritamente pessoais do linchado- tal qual o acontecido com a cantora Luíza Sonza, boicotada por iniciar um relacionamento pouco tempo após o seu divórcio, teve de se pronunciar sobre independencia e livre arbítrio nas suas redes sociais devido ao tamanho desgaste psicológico sofrido.
A posteriori, o combate a posicionamentos intolerantes e violentos utilizando o boicote cibernético como artifício de salvaguarda a dignidade de pessoas, que compõem grupos marginalizados, é de extrema importância. Visto que, estes cidadãos estão inseridos em uma sociedade que os marginaliza e nega seu lugar de fala e direitos- o que ocorre com mulheres, transgêneros, negros e outras minorias. Este preceito é consoante ao defendido e detalhado na obra literária “Autodefesa, uma filosofia da violência” da filósofa francesa Esla Darlin, onde a escritora se utiliza de grandes movimentos de oposição tal qual a escravatura colonial, a utilização do jui-jtsu pelas sufragistas de Londres e os Panteras Negras para deixar claro como a lei de legítima defesa nunca se aplicou a parte da população inferiorizada, restando para a mesma a utilização da agressão como forma de proteção.
Em suma, tendo como objetivo aplacar o juízo sem critérios e fomentar a utilização das redes sociais como forma de resistência é indispensável que as princiapais redes de interação sociais, em grande parte já unidas, caso do facebook, whatsapp e instagram que pertecem ao empresário Mark Zuckerberg, desenvolvam amplo projeto de concientização, colocando mensagens reflexivas em caixas de texto e produzindo imagens com conteúdo que estimule a empatia. Destarte, movimentos como o “me too”, que iniciou a “cultura do cancelamento’ e foi responsável pela maior visibilidade da causa contra abuso e assédio sexual serrão otimizados.