Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/01/2021

A “cultura do cancelamento” envolve uma inciativa de conscientização e interrupção do apoio a um artista, empresa ou personalidades públicas devido à demonstração de algum tipo de postura considerada inaceitável. Desse modo, no Brasil essa atitude ocorre devido à falta de diálogo e tolerância por parte dos “canceladores” e uma idealização das pessoas que devem ser imune aos erros.

Primordialmente, colocar-se no lugar do outro e enxerga-lo como irmão e cuidado são um dos desafios da geração contemporânea. Nesse sentido, uma pessoa é excluída das redes sociais por ações que muitas das vezes são mal interpretadas e o corpo social digital não mostra espaço para ouvir o lado de quem é julgado. Nesse viés, segundo o cientista em comportamento humano José Roberto Marques, a sociedade é rápida e não está mais aberta, disposta a ouvir e dialogar. Assim sendo, os “cancelados” acabam sendo perseguidos e muitas vezes ameaçados em diferentes lugares podendo desenvolver problemas mentais devido essa falta de empatia e conversa da geração século XXl.

Outrossim, é evidente que existe uma idealização das pessoas, ou seja, não se admite errar. Dessa forma, qualquer pessoal pode ser julgada pelo outro atualmente, visto que não é necessário ser famoso para ser cancelado e sofrer perseguições, insultos ou algum tipo de violência. Isso porque, em um mundo cada dia mais conectado qualquer indivíduo pode divulgar e publicar opinões. Entretanto, a idealização e uma sociedade mais individualizada não tolera atitudes consideradas inaceitáveis. Além disso, para ser cancelado não é preciso estar vivo: a internet brasileira proclamou o cancelamento do músico Raul Seixas, após uma nova biografia levantar suspeitas de que ele tenha delatado o amigo Paulo Coelho a agentes de ditadura militar. Assim, a política de cancelamento diminui o poder de voz do cancelado e busca a perda da relevância cultural do cidadão.

Portanto, antes de julgar qualquer pessoa é necessário buscar entender cada lado da história. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações para aumentar o diálogo das pessoas antes de julgar qualquer atitude. Isso pode ser feito através de anúncios nos canais digitais, propagandas e parceirias com grandes gravadores de filmes para produzir conteúdo e assim atingir uma alto público. Além disso, o Ministério da Educação unidos das instituições educacionais pode propor debate nas redes sociais, escolas, rádio e televisão mostrando como essa atitude pode trazer várias dificuldades para uma pessoa e afetar uma vida. Por fim, é importante entender que ninguém é ideal e pode cometer erros, mas cabe ao corpo social expandir-se para o diálogo.