Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/01/2021
Para Giorgio Agamben, o estado de excessão, isto é, a supressão de direitos em casos específicos, tornou-se cotidiano na vida de certos civis, como os que são caluniados e difamados na internet. Nesse viés, nota-se a negatividade da cultura do ‘‘cancelamento’’ , ou seja, uma prática virtual fundamentada no discurso de ódio. Conclui-se, então, que para mitigar esse hábito, são necessários debates sociais e políticas de proteção digital.
Nessa perspectiva, vale pontuar que, em virtude da Terceira Revolução Industrial, novas tecnologias cibernéticas foram expancionadas no Brasil. Sob essa ótica, a internet foi um dos aparatos criados que viabilizou a propagação da voz das minorias. A esse respeito, insere-se o movimento ‘’#MeToo’’ que propagou revindicações femininas contra o assédio sexual. Entretanto, posteriormente, a mesma campanha atuou no fito de ‘‘cancelar’’ pessoas injustamente, fato esse, que disseminou discursos de ódio no âmbito virtual. Logo, urgem debates sociais para mitigar essa violência.
Além disso, deve-se ressaltar que no livro ‘‘1984’’ ,de George Orwell, pessoas eram controladas por uma autoridade que permitia os ‘‘dois minutos de ódio’’ como lazer. Dessa maneira, em frente a uma tela ofensas e xingamentos eram proferidos por esse público. Fora da ficção, o discurso de ódio é dispersado nas redes socias por horas, dias e meses, haja vista que a cultura do cancelamento é permitida por autoridades digitais, de forma análoga à obra de Orwell. Em suma, é evidente que esses poderes virtuais, como o Instagram, devem inviabilizar esse tipo de agressão.
Portanto, uma solução para reduzir a mentalidade do cancelamento será a criação do projeto ‘‘Propague Paz’’ pelo Ministério da Educação. Posto isso, por meio de verbas federais, propagandas serão elaboradas por psicólogos e sociólogos sobre a importância de romper com essa cultura. Diante disso, a publicidade será veiculada no Instagram no formato de debates em chats on-line com a participação civil, a fim de eliminar o ódio nas redes. Ademais, a Industria Digital vai utilizar algoritmos para apagar discursos de ódio. Assim, não haverá estado de excessão na internet.