Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 11/01/2021

O mecanismo de funcionamento do cancelamento consiste em isolar um conjunto de comportamento sob a ótica da justiça social. É notável a semelhança dessas características em programas como “Big Brother Brasil” onde o público é direcionado à julgar, sob perspectiva pessoal, o comportamento dos participantes. Embora possa ser utilizado de forma ambígua, existe uma necessidade de se reavaliar os impactos desta cultura em nossa comunidade.

Em análise, os compartamentos que levam grupos da sociedade a cancelarem indivíduos, nem sempre são embasados ​​em verdades absolutas. De acordo com Friedrich Hegel, a história é um mito consentido, onde tendemos a interpretar e concordar com as versões que temos interesse, desta forma os atos de uma pessoa podem ser impulsionados, de forma individual ou direcionada, a partir de conhecimentos ganhos ao decorrer da vida. De modo que, quando se projeta um posicionamento, pessoal ou grupal, em uma situação, pode ocorrer uma dificuldade da observação do contexto ao redor.

Ademais, essa situação gera um conjunto de ações falhas, pois quando direcionado a grupos especifícos o cancelamento pode não ser efetivo. Segundo Aristóteles o menor desvio inicial da verdade multiplica-se infinito na medida em que ela avança, portanto quando ocorrem casos em que esse linchamento é baseado em uma informação falsa ou descontextualizada, ele pode trazer consequências de imagem, perda de emprego, agressões fisícas e desenvolvimento de problemas psicologícos para quem foi direcionada a ação.

Deve-se compreender que as vertentes acerca do cancelamento são amplas pois sua origem pode ter intenções manipuladas ou de ingenuidade. De forma a desenvolver um convívio melhor em sociedade, ações de conscientização sobre esses atos e incentivos a busca das informações são formas de amezinar o impacto negativo dessas ações.