Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/01/2021
O panóptico é um modelo de prisão, pensado pelo filósofo Jeremy Betham, cujas celas estão posicionadas de maneira que todos os prisioneiros podem ser vistos de uma torre central. Movendo tal informação para o contexto social atual, a torre central foi substituida pelos próprios detentos; ou seja, com o advento da internet, todos estão sucetíveis a serem constantemente vigiados e “cancelados” pela coletividade , o que caracteriza a dita cultura do cancelamento -conjuntura esta que gera consequências para a liberdade individual de expressão e comportamento.
Por primeiro, o sociólogo Zygmunt Bauman infere que , neste modelo de sociedade, gerou-se uma forma de dominação pelo fluxo a qual os integrantes da população devem se moldar de modo que se tornem congruentes com a maioria. Neste ponto de vista, quem não se normatiza pelas massas é propício a sofrer represálias e, assim, ser calado pela série de cancelamentos presentes principalmente no meio virtual.
Em sequência, um exemplo da problemática supracitada é o youtuber Maicon Kuster que, após retratar de maneira cômica o esteriótipo de uma feminista, foi submetido a inúmeros ataques em suas redes sociais e, por conta do ocorrido, foi acometido de problemas como ansiedade e depressão. Com isso, temendo passar por eperiências como a desse youtuber, é comum que internautas se abstenham do direito de expressar seus pensamentos -algo prejudicial para a manutenção de uma democracia legítima.
Portanto, visto que a situação contemporânea funesta personalidades e perspectivas individuais, medidas devem ser tomadas. Uma vez que impedir os cancelamentos seria um ato anticonstitucional e uma forma de censura, bastaria ao Estado se aplicar na metodologia gramiscista que se resume em uma frase: “Nao tomem quartéis, tomem escolas”. Dessarte, a educação por meio de debates em instituições de ensino para desenvolver a capacidade crítica da população seria a forma mais efetiva de criar uma sociedade que se opõe a ideias, não a pessoas.