Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/01/2021
Em dos episódios da série britânica “Black Mirror”, uma sequência de óbitos quase inexplicáveis é atrelada a um jogo viral do Instagram supostamente inofensivo, o qual selecionava pessoas que mereciam ser mortas em razão das atitudes consideradas condenáveis pelos usuários. No contexto brasileiro, as redes sociais é um dos setores da comunicação que mais se expande, transmitindo informações aos diferentes públicos. Entretanto, um dos movimentos virtuais, nomeado de “cultura do cancelamento”, ficou conhecido por ajudar grandes causas sociais, contudo, também foi usado para selecionar indivíduos e julgar atitudes ou comportamentos.
Sob essa ótica, é válido destacar que a cultura do cancelamento é relevante para os problemas sociais. Nesse sentido, é prudente apontar o caso que repercutiu na internet do adolescente Matheus Abreu, que realizava entregas para um aplicativo delivery e foi vítima de racismo com palavras ofensivas por um cliente, logo, a situação mobilizou parte da população a se comover e a lutar contra esse de tipo de crime racial. Diante disso, é perceptível que os movimentos de cancelamento na internet podem fortalecer as pautas sociais, principalmente no combate às estruturas opressoras, como o machismo, o racismo e a discriminação. Dessa forma, o cancelamento virtual por um lado é uma ferramenta positiva para romper uma estrutura indevida e fazer uma denúncia justa que, muitas vezes, não seria ouvida.
Além disso, é pertinente ressaltar, também, o cancelamento virtual como uma seletividade negativa para julgar atitudes e modos. Nessa perspectiva, o filosofo Gabriel Tarde mencionava que por mais que uma opinião se difunda, ela pouco se manifesta se for moderada; mas, por menos difundida que seja uma opinião violenta, ela manifesta muito. Acerca disso, o ato de “cancelar virtualmente” pode ser prejudicial, haja vista que parcela da população tenta punir comportamentos ou pensamentos que não estariam de acordo com suas concepções. Por consequência, com comentários negativos, exposições e julgamentos desnecessários, tais ações podem acarretar complicações para a vida profissional e pessoal de outrem. Dessa maneira, é indubitável que o movimento “cultura do cancelamento” pode ocasionar, infelizmente, problemas à saúde de indivíduos, vítimas desse linchamento virtual.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão competente aos assuntos relacionados ao ensino e à formação cidadã- criar campanhas publicitárias, por meio de mídias sociais - Instagram, Facebook - ,a fim de mostrar o lado negativo que o cancelamento virtual pode ocasionar nas vidas de vítimas desse movimento virtual e diminuir os ataques de racismo e de preconceito. Com essa medida, a situação do seriado “Black Mirror” não será evidenciada nas redes sociais e na realidade brasileira.