Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/01/2021
Conforme o físico Albert Einstein, tornou-se, aterradoramente, claro que a tecnologia ultrapassou a humanidade. Dessa maneira, no cenário brasileiro observa-se que os boicotes e discursos de ódio estão cada vez mais presentes e a empatia quase não existe no que se refere ao debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da existência de justiceiros no mundo virtual e a má influência midiática.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a existência de justiceiros no mundo virtual. O héroi Batman, da revista americana de quadrinhos DC Comics, retrata a existência de um indivíduo que realiza justiça por si próprio, ou seja, pesquisa e leva criminosos para a polícia. De maneira análoga, entretanto, verifica-se que esse cenário encontra-se deturpado na internet, uma vez que o boicote pode ser realizado até sem provas do ocorrido. Dessa forma, os responsáveis pelo cancelamento, não deixam passar um mínimo erro, mesmo que seja de anos átras, e isso vem seguido de discursos de ódio, perseguições e falta de diálogos. Desse modo, tem-se como consequência impactos na saúde mental, visto que consoante Zygmunt Bauman, o mal uso das redes pode ocasionar quadros depressivos e de ansiedade no que tange ao debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.
Além disso, vale ressaltar a má influência midiática. De acordo com Nietzsche, os indivíduos possuem a tendência de propagar ideias e valores da maioria, para se sentirem pertencentes a grupos na sociedade. Nesse sentido, infere-se que a mídia possui grande poder de formar opiniões, e, em virtude disso, pode destruir a reputação das pessoas por boicote, como foi visto no caso do ator Jonny Deep, que foi acusado pela esposa de violência doméstica, entretanto, não há provas e ele afirma que é a vítima. Em virtude disso, há, como consequência, perseguições e discursos de ódios aos cancelados. Em síntese, a cultura do cancelamento é válida para assuntos de grande importância, por exemplo, em casos de estupro, assédio sexual, degradação ambiental, corrupção.
Percebe-se, portanto, que o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea enfrenta barreiras preocupantes no país. Para amenizar essa situação, é interessante que o Ministério da Comunicação atue na verificação da veracidade do conteúdo no mundo digital e na exclusão de postagens que contenham discursos de ódio realizados por justiceiros na internet. Isso deve ser realizado por meio do redirecionamento de verbas que garantam a eficácia da análise de dados, a exemplo de diminuir o número de cancelamentos sem evidências. O objetivo desse feito é criar um espaço digital com mais empatia e menos fúria. Somente assim, o pensamento de Albert Einstein não se tornará mais uma realidade no Brasil.