Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/01/2021
Durante o Governo Sarney, o Brasil foi dotado de benesses de forma imensurável. Sabe-se que um dos benefícios concedidos diz respeito ao direito à segurança, assegurado pela Constituição de 1988, o qual explicita políticas que visam coibir qualquer tipo de violência, bem como à garantia da dignidade humana. Todavia, tal mecanismo legal apresenta-se ineficaz, vito que há debates sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, seja pela falta de empenho do poder público, seja pelo descuido da sociedade civil.
“Nas favelas, no senado / Sujeira pra todo lado / ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Esse trecho na música” Que País é este? “, Deixa explícito que há o nítido descaso de deveres e direitos, já que as pessoas não respeitam o coletivo. Exemplo disso é a falta de fiscalização governamental no meio cibernético, haja vista que os cancelamentos virtuais têm sido persistentes, pois os assuntos têm sido debatidos de forma violenta, o que, muitas vezes, não traz reflexões eficientes. Em consequência, nota-se a violência velada - privação da autonomia humana de usufruir de seus direitos -, assim como medidas que despertem a formação do senso crítico do coletivo sobre como discutir respeitando as opiniões adversas, de modo a afetar a dignidade humana.
Outrossim, à luz do sociólogo Zygmunt Bauman, o ser humano “líquido” adotou um novo modo de pensar, pois essa nova sociedade - com laços afetivos fragmentados - vive sem questionar o que acontece à sua volta. Tal panorama, comprova que a desintegração dos vínculos humanos é, em geral, consequências de atitudes da sociedade civil ao criarem expectativas em seus ídolos, de maneira que se estes cometerem algum deslize, são cancelados por intermédio dos discursos de ódio. Assim, essas entraves precisam ser interrompidas para que não favoreça a desenvolução de doenças pscicossomáticas - depressão - nos linchados pela pressão social exercida.
Ao governo, portanto, cabe a função de destinar parte do PIB nacional aos órgãos de segurança. Essa ação ocorrerá mediante o direcionamento dessa verba às campanhas socioeducativas - as quais acontecerão no meio cibernético -, cujo propósito será provocar a criticidade social sobre como a cultura do cancelamento pode ser prejudicial à saúde e promover a segurança pública. Isso terá o intuito de remediar o elucidado por Bauman e pela música “Que País é este?” para a plena fluidez da Constituição de 1988.