Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/01/2021

Durante a Contrarreforma Católica no século XV, foi criada a Santa Inquisição, a qual consistia em um tribunal responsável por censurar manuscritos que iam de encontro com o catolicismo, além de executar pessoas que questionavam o dogma religioso. De forma análoga, ao contexto atual, a internet permitiu a criação de um tribunal alternativo, o qual condena pessoas que propagam pensamentos julgados incompatíveis pela militância virtual. Nesse contexto, a cultura do cancelamento aprensenta-se como um problema devido ao politicamente correto e promove a criação de fakes nas redes sociais.

Mormente, é evidente que o cancelamento cibernético está vinculado ao moralismo exacerbado de algumas pessoas que dominam as redes sociais, haja vista que forçam os usuários a agirem seguindo uma linha político-ideológica. Nesse sentido, os justiceiros sociais punem aqueles que se afastam do comportamento imposto por eles com o uso de um linchamento virtual, o que resulta, muitas vezes, no banimento do indivíduo ou na exclusão social dele. Prova disso foi o caso noticiado pelo G1 em 2019, no qual uma mulher foi alvo de xingamentos por ter se fantasiado de índio. Assim sendo, a militância ficou infeliz, afirmaram que indígenas são um povo e não uma fantasia e promoveram o “cancelamento” da moça, a qual deletou sua conta na rede social. Destarte, esse fenômeno é oneroso porque impõe violentamente a vontade dos outros sem que haja diálogo.

Consequentemente, isso intensifica a criação de contas falsas nas redes sociais. Nesse ínterim, a cultura do cancelamento desencoraja que pessoas manifestem suas opiniões e suas vontades em seus perfis reais, visto que algo diferente do pensamento padrão poderia acarretar em um linchamento virtual. Dessa forma, uma alternativa criada por algumas pessoas foi a criação de perfis “fakes”, os quais normalmente não possuem foto ou nome verdadeiro e servem apenas para que propaguem suas opiniões de forma anônima e velada. Infelizmente, isso tornou-se problemático visto que, na maioria das vezes, esses perfis também usam linguagem ofensiva e às vezes até discurso de ódio em seus diálogos. A exemplo disso, dados da Cambridge Analitcs de 2017 apontam que cerca de 70% dos perfis banidos do Twitter não tinham foto de perfil e foram criados recentemente, o que evidencia essa tese.            Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, é necessário que o Ministério Público Federal interfira nas redes sociais por meio da criação de um departamento destinado ao monitoramento da internet, banindo usuários que iniciem o cancelamento de outros e também aqueles com perfis falsos. Em casos mais graves, esse departamento deve rastrear o IP, CPF e CEP para iniciar um processo jurídico. Assim, espera-se que a cultura do cancelamento seja atenuada, indo a favor de uma sociedade mais justa.