Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/01/2021
“Aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra”, disse Jessus Cristo aos fariseus ao impedir que uma mulher condenada por adultério seja apedrejada pelo povo. Contemporaneamente,a sociedade apresenta um comportamento paralelo ao texo bíblico no que diz respeito à cultura do cancelamento. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de uma grave problemática decorrente da alienação mídiatica e, por conseguinte, linchamentos virtuais desnecessários.
Em primeiro plano, a manipulação da mídia configura-se como uma grande barreira disseminadora do problema. Segundo a teoria de “fatos sociais” do sociólogo Emile Durkheim, o homem está sujeito à uma pressão para seguir o padrão estabelecido. Nessa perspectiva, às mídias sociais são palco para o cancelamento, um simples vídeo de uma conduta irregular ou atípica, seja ela grave ou não, pode ganhar muitos compartilhamentos, menções e repercussão, atingindo uma grande quantidade de indivíduos que estão sujeitos à alienação, pois um expressivo número de pessoas defendem uma opinião. Assim, o ser humano é forçado por coercitividade a compactuar com a massa, por medo de diferir do restante e virar o próximo alvo. Como resultado, ocorre uma especularização do fenômeno mas redes sociais.
Em segundo plano, o ato de cancelar pode se tornar exagerado ou infundamentado. Na segunda temporada do seriado The Politician, por exemplo, Payton Hobart está à frente de uma campanha política quando vaza uma fotografia sua de quando criança — vestindo uma fantasia —, Payton é acusado de apropriação cultural, sofrendo boicote em sua campanha e atingindo à reputação pessoal. Assim como nas telas, o cidadãos estão passivos ao linchamento virtual, principalmente figuras públicas. Dessarte, o cancelamento pode ser decorrente de um comportamento antigo, uma simples frase que pode ser mal interpretada ou de uma informação infundada. Dessa forma, não somente o comportamento é criticado, como também a pessoa que sofre um desgaste de imagem, vergonha pública e consequências que podem durar eternamente. Nessa ótica, o exagero e as notícias falsas que os “canceladores” podem acrescentar à situação é um risco a essa cultura.
Diante do exposto, medidas que atenuem à problemática são necessárias para a alteração desse cenário. Portanto, cabe ao Ministério da Eduação (MEC) o incentivo à campanhas informátivas no ensino médio sobre a forma correta do uso das redes sociais, com intuito de promover a consciência indívidual nesse meio. Ademais, para frear a constante propagação de notícias falsas, urge que o Ministério de Segurança Pública enrijeça o combate as fake news por meio da criação de um departamento de rasteamento e desmistificação desse tipo de informação.