Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/01/2021
Em um dos episódio da série britânica “Black Mirror”, é retratada uma sociedade construída pelo discurso de ódio, em que pessoas são atacadas por um enxame de abelhas geneticamente modificadas quando não agem de maneira esperada socialmente. Fora da ficção, esse linchamento de visões constrárias é observado na cultura do cancelamento nas redes sociais, na qual há o constante julgamento e condenação do comportamento alheio. Nessa óptica, tal prática é extremamente problemática e contraditória, já que ao buscar a justiça para grupos oprimidos, agrava o incitamento da violência verbal e a não procura por diálogos elucidativos.
Em primeiro lugar, é essencial analisar o caráter violento acompanhado dessa prática de “cancelamento”. Segundo o escritor brasileiro Augusto Cury, “Frágeis usam a violências e os fortes as ideias”. Nessa óptica, a visão do autor pode ser observada nessa onda de perseguição virtual, em que uma grande massa de pessoas incitam o ódio, violência e distribuem ameaças. Esses não buscam promover uma reflexão ou uma comunicação não-violenta com o indivíduo de posicionamento errôneo. Desse modo, danos irreversíveis podem ser gerados na vida daqueles que sofrem o linchamento, como problemas psicológicos e o isolamento social.
Além disso, convém abordar sobre a falta de conversação decorrente da intolerância nítida nas redes sociais. Sob essa óptica, o metódo socrático conhecido como Maiêutica, prevê o dialógo entre duas pessoas em um processo de reflexão em busca dos próprios valores e verdades. Entretanto, diferente da concepção do filósofo, as atuais ações virtuais de “cancelamento” não promovem comunicação elucidativa que permita o amadurecimento e conhecimento para a pessoa julgada. Assim, já que não há a busca por fazê-la entender o assunto, não há uma real mudança de suas concepções que promova a justiça àqueles ofendidos.
Torna-se evidente, portanto, que há necessidade de medidas afirmativas para reduzir os efeitos da cultura do cancelamento. Posto isso, é essencial que as mídias televisivas junto as mídias sociais busquem mitigar as ocorrências das “ondas de cancelamento” através de propagandas esclarecedoras sobre as consequências psicológicas e sociais dessas, como o dano a saúde mental. Logo, será possível a promoção de uma maior tolerância nas redes. Ainda, é essencial que o Ministério da Educação, responsável pelo ensino no Brasil, promova a obrigatoriedade do debate nas escolas de forma interdisciplinar, auxiliando na formação de uma sociedade capaz de dialogar para resolver conflitos. Dessa forma, será possível que a sociedade representada no episódio de “Black Mirror” não seja uma realidade no Brasil.