Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/01/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais dos indivíduos que a compõe. Fora da ficção, é fato que as observações apresentadas pelo escritor brasileiro podem ser relacionados à cultura do cancelamento. Hodiernamente, essa cultura ganhou representatividade, devido à desinformação por parte da população e pelo descaso familiar.
Sob esse viés, nota-se que a falta de conhecimento dos populares é uma problemática, visto que os usuários das redes não têm o consentimento do assunto e acabam divulgando informações incorretas. Nessa perspectiva, segundo o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, “Não há fatos, apenas interpretações”. Analogamente, constata-se a importância do desenvolvimento de critérios na absorção de informações, pois, a compreensão errônea de um fato pode levar a conclusões equivocadas e atos repudiantes. Por conseguinte, esse ato leva ao ‘‘cancelamento’’ de pessoas, além de afetar na moral e na ética.
Outrossim, de acordo com o psicanalista Sigmund Freud, em sua teoria do superego, as regras morais não nascem com o indivíduo, mas são passadas pela família, como meio de viver nela corretamente. Sob tal ótica, percebe-se que a formulação de identidade brasileira baseia-se no princípio arcaico, no qual é de extremo conservadorismo, uma vez que seguem preceitos religiosos e patriarcais. Ademais, verifica-se que a família não desempenha uma função necessária para o auxílio nas ações na internet, o que proporciona indivíduos militantes e com déficit na educação. Dessa forma, contribui-se para perpetuação desse tipo de atividade negativa na comunidade.
Portanto, para que haja uma melhoria no cenário da cultura do cancelamento, é imprescindível o esforço coletivo entre comunidades e Estado. Por tudo isso, cabe ao governo federal, em parceria com instituições midiáticas, propor uma reeducação sociocultural, mediante a circulação de campanhas educacionais, em televisões, internet, revistas, jornias e palestras em vias púplicas, com o intuito de erradicar o “cancelamento” na sociedade. Em seguida, é preciso implementar programas de combate a essa cultura, por meio de políticas públicas e denúncias anônimas, em prol de assegurar a vida pessoal e profissional da vítima. Assim, garantindo a extinção dos comportamentos egoístas e superficiais citados por Machado de Assis.