Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/01/2021
Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da presença de ódio nas relações interpessoais. Com efeito, reestruturações educacionais e midiáticas são medidas impostas como necessárias para que o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea seja produtivo e eficaz.
Inicialmente, é válido ressaltar a superficialidade do ensino nas instituições educacionais como fator essencial para o agravante da desarmonia social gerada pelo cancelamento. De acordo com pesquisa feita pelo Data Senado, cerca de 50% dos entrevistados admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal. Desse modo, é possível constatar que, de certa forma, a democracia não está sendo efetivada, afinal, o conhecimento das leis ainda é destinado a um grupo elitizado. Assim, visto a lacidade dos brasileiros sobre os direitos, infere-se que, muitas vezes, o indivíduo não possui noção do impacto das próprias atitudes, como o discurso de ofensa, para o campo jurídico, de modo a não só banalizar tal atitude, mas incentivar os demais a praticarem o mesmo ato, formando um ciclo vicioso de retrocesso. Por isso, necessita-se reiterar às escolas a abordagem de aulas sobre os direitos para que seja feita a orientação das condutas benéficas à cidadania.
Outrossim, é imprescindível mencionar a contribuição do incentivo midiático para o repúdio incontestável do indivíduo ao próximo. De acordo com Adolfo Vázquez, filósofo espanhol, o aumento da frequência de determinada situação, erroneamente, resulta na naturalização do evento. Dessa maneira, é possível constatar que, análogo ao modo de vida contemporâneo, destacado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, as pessoas tendem a não se solidarizar ao sentimentos do outro, visto que, com a “modernidade líquida”, isto é, a superficialidade das relações sociais, o foco é destinado às mídias, as quais manipulam, por exemplo, o consumo de bem materiais e o individualismo, por meio de propagandas, com o discurso do “status” e da “inclusão”, os quais, sobretudo, fazem parte do discurso de cancelamento proposto nas redes sociais, conforme o fetichismo cultural. Então, cabe ao Estado ratificar as leis no meio cibernético para garantir a justiça e a compreensão do bom comportamento do usuário na internet.
Portanto, evidenciam-se condutas importantes para que o debate sobre a cultura do cancelamento obtenha impacto positivo na sociedade contemporânea. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover um ensino revolucionário nas escolas públicas, com a inserção do ensino à Carta Magna interligada às práticas cotidianas, sobretudo, na internet, a fim de apresentar os malefícios da cultura do cancelamento. Por fim, o progresso será atingido.