Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/01/2021

Surgido recentemente, o cancelamento digital tinha como propósito inicial dar voz a minorias excluídas socialmente e ir contra comportamentos ou falas preconceituosas, machistas ou negativas em geral. Entretanto, tal intenção tem tido o efeito inverso e reduzido o diálogo a discursos de ódio, linchamento virtual ou até ciberbullying, como uma forma de aumentar o engajamento e ganhar “likes”. Além de irresponsável, já que pode prejudicar o alvo da crítica, essa nova cultura é limitante, pois restringe o pensamento crítico dos internautas.

Isso acontece porque muitos deles seguem o “efeito manada”, e não há um real julgamento ou contextualização sobre a validade da postagem, nem espaço para o alvo da crítica se defender, explicar ou reconhecer e corrigir seu erro. Com isso, a liberdade de expressão, que seria um dos pilares das redes sociais, vem sendo reprimida, e inúmeras pessoas estão deixando de expôr suas opiniões e ir contra um pensamento dominante com medo de não serem aceitas.

Além disso, enxerga-se como irresponsável o ato de cancelar já que os usuários, escondidos atrás de um perfil, com um clique podem atingir negativa e inconsequentemente uma pessoa, podendo atingi-la psicologiamente, ou afetar economicamente uma empresa, muitas vezes injustamente, já que nas redes sociais muitas vezes - e principalmente em textos - há a interpretação equivocada sobre a real intenção de determinada postagem.

É, potanto, perceptível uma falha na cidadania digital, com pessoas cada vez menos empáticas, menos embasadas em suas críticas e mais intolerantes. Por isso, a fim de tornar a comunidade das redes sociais mais harmônica e consciente, os profissionais dessas empresas, como Twitter, e Facebook, devem criar mecanismos que dificultem o cancelamento, a partir da criação de uma opção que permita aos usuários denunciarem-no e de algaritmos que reconheçam, selecionem e impeçam o perpetuamento de mensagens de ódio, dando, assim, fim à cultura do cancelamento.