Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/01/2021
O filme “Precisamos falar sobre Kevin” relata a história de Eva que, devido a um crime cometido por seu filho, é obrigada a mudar-se de cidade para tentar recomessar sua vida após constantes agressões de seus vizinhos e conhecidos sofridas pela personagem. Paralelamente a ficção, a cultura do cancelamento virtual afeta a vida de indivíduos e de seus familiares. Diante disso, é imperativo que haja uma educação cidadã e um combate a violência e na internet.
Em primeira análise, o exercício da cidadânia é entendido como conjundo de direitos e deveres de um indivíduo em uma sociedade. Nesse sentido, o cancelamento fere uma garantia constitucional, pela qual é assegurado, em seu artigo 5º, o direito de resposta a qualquer acusação. Consequentemente, denegrir a imagem de alguém através da propagação de fotos ou vídeos tirados de contexto podem causar danos permantentes e irreversíveis. Por isso, a educação é fundamental no processo de conscientização do papel individual tanto na internet, como na sociedade.
Além disso, a intolerância virtual fomenta o cancelamento. Nesse viés, o ato de cancelar tem sido usado como forma de atingir adversários políticos e econômicos. Segundo Aristóteles, não é sempre a mesma coisa ser um bom homem e ser um bom cidadão. Dessa forma, no intuito de preservar uma imagem politicamente correta, algumas pessoas utilizam-se de subterfúgios não republicanos e denigrem a imagem de terceiros a fim de se autopromoverem.
Assim, pode-se perceber que a cultura do cancelamento é prejudicial a sociedade como um todo. Nessa lógica, cabe ao Ministério da Educação incluir na grade curricular de ensino o estudo da Constituição Federal de 1988 a fim de garantir que os estudantes não só entenderão, mas também exercerão a plena cidadania, compreendendo o papel do indivíduo na sociedade e o impacto de suas ações. Feito isso, construiremos um país mais tolerante e um ambiente virtual mais responsável.