Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/01/2021

A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão da cultura do cancelamento, cuja base é uma forte discriminação. Diante dessa perspectiva, convém analisar os principais aspectos que regem esse fenômeno.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a cultura do cancelamento, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado, haja vista que na idade das trevas costumava-se apedrejar mulheres que supostamente teriam traído seus maridos. Ademais, na era digital, verifica-se uma extensão desse costume justiceiro para o meio virtual.

Além disso, o cancelamento encontra terra fértil na irracionalidade. Segundo a filosofia Hegeliana, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade no impasse, que tem como base uma forte influência da falta de um pensamento racional. Assim, sem a presença de uma lógica que permita tomar decisões de bom senso, essa questão persiste na contemporaneidade.

Vale ressaltar, também, que a cultura do cancelamento evidencia a falta de empatia fortemente presente na realidade contemporânea. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade atual, no que tange à cultura do cancelamento. Essa liquidez, que influi sobre a questão do justiçamento virtual, funciona como um fator determinante para sua manutenção.

Em síntese, é indubitável que a permanência da questão influi irreversivelmente na realidade individual e coletiva, tendo como principais fatores responsáveis para a a sua não mitigação, não somente o legado histórico, mas também a irracionalidade e o individualismo. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare responsável por debater sobre essa cultura tóxica e alterá-la, pois, de acordo com o personagem que deu origem ao nome do filme “O lorax: em busca da Trúfula Perdida”: “A menos que você se importe de montão, nada vai melhorar, não vai não.”