Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 18/01/2021

No romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o quixotesco personagem que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideais. Fora das páginas literárias, os malefícios da cultura do cancelamento no Brasil, provavelmente, seja pela negligência governamental, seja pela ausência de entedimento da sociedade. Assim, faz-se necessário analisar os impactos de tal temática no país.

Em um primeiro plano,  é válido analisar que o panorama supracitado mostra-se atrelado a manutenção, nos cernes governamentais, de preceitos ligados a questões ideológicas e comportamentais. Consoante o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é, desde a colonização, marcado por um individualismo exacerbado que o leva a se apropriar do público para fins particulares. Nesse viés, essa característica contribui para que muitos políticos pouco ajam para entender os anseios do povo, como criar mecanismos legislativos para amparar os cidadãos que sofrem cancelamento injustos e sem a chance de se redimir dos erros que cometeram. Dessa forma, infelizmente, há uma reduzida atuação do Estado em busca de um ambiente virtual mais democrático e livre de opressão.

Em segundo plano, é imperioso analisar a falta de entendimento da sociedade a respeito do assunto em questão. Segundo Carllo Cartane, filósofo italiano, a educação e o meio são, respectivamente, fatores determinantes na formação de um indivíduo. Dessa maneira, é incontestável destacar que a escassez de recursos informacionais destinados à formação de um ideário que alerte o perigo de ataques revestidos de ofensas – como, em muitos casos, é feito pelo “Tribunal da Internet” — também ora edifica uma conjura perniciosa a representatividade, ora demonstra que a escola emerge como um decisivo agente de socialização, já que, ao formar cidadãos mais centrados, contribui para mitigar conjecturas e sanções de teor destrutivos na internet.

Portanto, é urgente a adoção de medidas para mitigar o problema. Nesse sentido, o Poder Legislativo –instituição de notória importância para o país – deve, por intermédio de um acordo assinado, realizar fiscalizações mais frequentes e severas nas redes sociais, como Facebook e Twitter, a fim de se garantir um ambiente virtual mais justo e aberto ao diálogo distante da cultura nociva do cancelamento. Ademais as escolas devem promover palestras e campanhas para mudar paulatinamente a visão antropocêntrica ainda presente cidadãos. Com isso, espera-se que todos os indivíduos vivam em um espaços cibernético livre de discursos de ódio e injustiças, mantendo uma sociabilização harmônica.