Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/01/2021

Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe toda a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progesso coletivo. Em consonância, a cultura do cancelamento é um empecilho na sociedade contemporânea, que impede debates pautados no diálogo e na compreensão. Nesse sentido, pode-se afirmar que a padronização de comportamentos e a alienação sobre problemas complexos agravam essa situação.

Em uma primeira análise, deve-se resaltar a indiferença da população na averiguação de informações, principalmente no meio digital. De acordo com a teoria política Pós-verdade, os fatos objetivos são ignorados em favor da defesa de argumentos cibernéticos sem comprovação. Dessa maneira, o cancelamento se baseia, muitas vezes, em notícias falsas e julgamentos precipitados de um grupo de usuários digitais, que passa a influenciar o comportamento de outros indivíduos.

Ademais, é fundamental apontar o alienamento dos cidadãos com os reais problemas da sociedade, como impulsionador do cancelamento. A “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Desse modo, cancelar pessoas ou empresas, torna-se apenas uma manifestação superficial e rotineira do desagrado da população, enquanto as questões estruturais complexas da comunidade continuam sem um aprofundado debate e soluções concretas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intémedio de projetos escolares, alerte sobre os danos causados pela cultura do cancelamento - com cartilhas e palestas para crianças e adolescentes - a fim de evitar a propagação desse infortúnio. Paralelamente, cabe às empresas resposáveis pelas redes socias, informar seus usuários, através de propagandas - que deverão frisar os danos mentais causados aos cancelados - objetivando combater essa prática. Assim, se consolidará uma socidade  mais harmoniosa, a qual favorecerá o progresso coletivo apontado por Émile Durkheim.