Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/01/2021

Desde as civilações antigas os indíviduos já se organizavam para defender um posicionamento, ou uma ideia, este processo foi passando por diversas mudanças até chegar na era digitalizada do século XXI em que ocorre a união de diversas pessoas para desmoralizar um sujeito com base no que ele disse nas redes sociais, ou uma atitude imoral que foi flagrada. A chamada cultura do cancelamento, que vem ganhando popularidade desde 2017, não se mostra eficaz considerando que os atacados perdem seus empregos e alguns patrocínios mas depois voltam a ser contratados e continuam repetindo as mesmas atitudes anti-éticas porém sem expô-las.

A sociedade brasileira desde os seus primórdios se apresentou muito desigual, uma classe tinha direito de fala pública e a parte segregada como os negros e os LGBTs ficavam de fora ouvindo críticas ou insultos. E após o surgimento da internet estes grupos se uniram, ganharam popularidade e visibilidade em maiores esferas sociais, logo os atos racistas ou homofóbicos começaram a ser totalmente repúdiados nas redes sociais, fazendo com que o agressor, muitas vezes consciênte do que diz, seja desmoralizado. Entretanto diversas vezes essa atitude não aplica efeito real à medida que o valor do cancelamento não é ensinado ao cancelado e só são feitos insultos, sem intuito de ensinar valores a ele que portanto não resolvem o problema em sua base.

Ademais, os famosos que foram invalidados em alguns meses ou dias voltam a sua rotina normalmente como o caso do jornalista William Waack que após ser racista em rede nacional foi demitido da Globo, porém logo foi contratado pela CNN mesmo após a atitude anti-ética. O educador Paulo Freire disse “Quando a eduação não é libertadora o sonho do oprimido é ser o opressor”. Isto é o que acontece nesses casos onde a minoria que sofreu o ataque direciona ódio ao opressor fazendo com que ele seja infamado. Contúdo o sujeito fica sem aprender o real motivo do cancelamento, sem argumentos, e então repete as mesmas falas e atitudes na família, compartilhando piadas racistas com colégas ou sendo homofóbico nas ruas, mas sem publicar nada disso na mídia pois sabe que será cancelado e continua odiando aqueles que o reprimiram.

Portanto para a solução do problema em que o cancelamento muito disseminado não muda em si a ideologia do indíviduo, o Ministério da Cidadânia deve por intermédio de campanhas conscientizar os influenciadores digitais e as pessoas a não simplesmente disseminarem ódio em outros e sim denunciar a atitude errônea com argumentos, buscando informar o opressor a imoralidade de seu ato. Deste modo a internet ajudaria a minoria fazendo com que os sujeitos que ainda são preonceituosos entendam a gravidade de sua atitude e nao reproduzam-na novamente em nenhum círculo social.