Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/01/2021

O instagram e os ‘’trending topics’’ do Twitter são temas cada vez mais em pauta na atualidade, e com eles, a cultura do cancelamento. Tendo isso em mente, apesar de aumentar a possibilidade de que opiniões inflamadas por notícias enviesadas ou incompletas reverberem, a prática de ‘’cancelar’’ contribuiu positivamente para a sociedade contemporânea, visto que proporcionou um espaço para que o cidadão comum publique críticas e que estas alcancem repercussão unicamente pela insatisfação do coletivo. Em primeiro plano, a cultura de cancelamento pode ser benéfica ao proporcionar ao cidadão comum um espaço em que críticas e insatisfações são publicadas e alcançam repercussão. Mesmo que tais práticas aumentem a possibilidade de que opiniões inflamadas por notícias enviesadas ou incompletas reverberem,, sem que haja espaço para o acusado se defender, a voz que a ferramenta do cancelamento dá às massas é ímpar e deve ser valorizada. Concomitantemente, as consequências para o ‘’cancelado’’ no mundo conectado, apesar de parecerem insuportáveis, são esdruxulamente menores do que as presenciadas em governos ditatoriais anos atrás. Por exemplo, o injusto cancelamento de Neymar em 2019 por suposta violência sexual contra parceira alcançou massivas proporções e mesmo assim foi rapidamente desmentido, não acarretou em recisões de contrato, adições à ficha criminal do atleta ou danos emocionais permanentes. Em segundo plano, outro ponto positivo da cultura de cancelamento é tirar o monopólio da formação de opinião dos grandes veículos de mídia, muitas vezes interessados na análise parcial e na omissão de fatos, mesmo que isso signifique êxpor um indivíduo à falta de interesse em diálogo do coletivo. Exemplo disso é o escândalo sexual de Marcius Melhem, apresentador cujos casos de assédio eram ‘’abafados’’ por figuras do alto escalão da Emissora Globo e só ganharam repercussão graças a ação das redes sociais. Concomitantemente, a arbitrariedade da mídia já é comprovada. É muito visível a tentativa de fazer uso do poder de influência, advindo da eloquência de bons locutores e do argumento de autoridade de ‘’pseudo-intelectuais’’, para controlar a opinião do cidadão comum em torno dos interesses de uma elite. Ao contrário, mesmo que a política do cancelamento possa ser arbitrária e desinteressada em diálogo, ela é pautada nos interesses de uma maioria.