Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/01/2021
Segundo o filósofo grego Socrátes, por meio do seu método dialético conhecido como “Maiêutica”, demonstrou que é possível obter a verdade e o conhecimento sobre um determinado assunto através do debate crítico. Nesse sentido, é preciso discutir sobre a cultura do cancelamento, visto que, a intolerância com quem pensa diferente de um determinado grupo, aliado à descrença na redenção humana perante à atitudes errôneas cometidas no passado, muitas vezes, alimentam esse problema, tornanando-o cada vez mais presente na sociedade atual.
À prióri, cabe mencionar a frase do filósofo francês Voltaire que diz: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Todavia, na prática, essa citação não condiz com a realidade, na medida em que a cultura do cancelamento vem se alastrando com o passar do tempo. Observa-se -principalmente nas redes sociais- que, quando um pensamento exposto por algúem diverge-se dos valores de um outro determinado grupo, pode acontecer que este se mobilize entre os seus adeptos para atacar e “cancelar” aquele indivíduo. Dessa forma, o veículo de comunicação se torna um “tribunal” onde os “juízes da internet” estão a postos a espera de qualquer discuido pessoal para realizarem seu julgamento.
Ademais, tal ato só reforça a descrença na regeneração humana, perpetuando assim, o preconceito. É comum diante dessa “cultura de cancelar”, que pessoas sejam julgadas por erros cometidos num passado muito distante, como no caso da autora da saga Harry Potter, JK Rowling. Ela foi bombardeada em suas mídias sociais devido a declarações transfóbicas – indiretas- feitas há cerca de uma década atrás. Nesse contexto, claramente, desconsiderou-se que tanto a escritora, quanto a sociedade em si evoluíram no decorrer dos anos, e que esse tipo de equívoco por parte da escritora não se repetiu, logo, esse “cancelamento” foi uma atitude totalmente incoerente diante da realidade atual da autora.
Portanto, medidas intervencionistas são necessárias para resolver o impasse. Urge aos veículos de comunicação a criação de campanhas conscientizadoras a fim de promover a empatia no meio social, visto que, a prática do cancelamento pode afetar a saúde mental dos indivíduos e gerar consequências extremas, como o suicídio dos mesmos. Além disso, cabe as instituições de ensino promover debates e palestras acerca do assunto, para que, crianças e adolescentes saibam desde cedo a importância da empatia ao se utilizarem dos meios de comunicação. Só assim o pensamento de Voltaire poderá ser uma realidade possível e as pessoas poderão demonstrar suas opiniões, e, se quiserem, se arrepender sem a pressão dos “juízes da internet”.