Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/01/2021
Cancelamento: com que propriedade?
Recentemente, na internet, tem sido observado um novo modelo de julgamento acelerado de pessoas devido ao cometimento de ações consideradas inapropriadas perante a sociedade. Com isso, a pessoa que está sendo julgada é considerada “cancelada” na sociedade após, por exemplo, um discurso preconceituoso em sua rede social, e muitas vezes sem ter tido sequer uma chance de se retratar ou de se defender adequadamente.
Partindo disso, é de se admitir que todas as pessoas erram em um momento ou em outro de suas vidas e que ter a oportunidade de aprender com esses erros é o que gera evolução e molda o caráter de forma positiva. Dito isso, ao “cancelar’ alguém por um erro cometido, há o risco de tirar o direito dessa pessoa de se defender e de se justificar, ou mesmo de simplesmente reconhecer o erro e buscar se aperfeiçoar.
Em contrapartida, algumas pessoas exaltam o lado positivo desse modelo de “cancelamento”: a criação de uma maior necessidade de reflexão antes de disseminar falas que podem ser preconceituosas, criminosas e mal interpretadas. Ou seja, a pessoa que antes iria publicar em suas redes sociais um texto qualquer, agora vai refletir mais profundamente, antes de publicá-lo.
Embora isso possa parecer legal, não se pode esquecer que, ao cancelar alguém, há o risco de gerar um sentimento de opressão e, consequentemente, fazer com que a pessoa cancelada se sinta injustiçada, sem ter tido espaço para um debate apropriado. Além disso, esses julgamentos são feitos, geralmente, por pessoas sem qualquer preparo acadêmico ou profissional.
Dito isso, não há uma análise profunda quanto aos benefícios e malefícios dessa recém criada cultura de cancelamento e não é necessário ser um advogado para cancelar alguém. Ou seja, é uma cultura perigosa e que deve ser repensada, antes que danos irreversíveis possam surgir.