Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/01/2021
Cultura do cancelamento: relações líquidas em busca de unidade.
A cultura de cancelamento, fenômeno social muito característico do nosso momento, consiste em uma espécie de policiamento de influenciadores nas redes em prol de um suposto bem maior. Contudo, tais práticas autônomas se mostram muito ineficazes e por vezes até perversas em relação aos seus impactos sociais e individuais.
Em tempos de vínculos sociais frágeis, como aponta Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, a busca por unidade é um sentimento latente que junta pessoas em prol de causas. Essas Por vezes são nobres como o Black Lives Matter nos E.U.A ou perversas como movimentos Neo-Nazi pelo mundo. Nessa lógica, uma união por um bem maior como os eventos de cancelamento, revelam o interesse dos jovens em se unir, porém, a desorganização e falta de pautas comuns os levam a cancelamentos ineficazes e muitas vezes perversos.
Ineficazes, dessa forma, pois o fato de que “cancelar” um influenciador muitas vezes eleva sua popularidade. Não somente, como ademais o fato de que a raíz do problema em sociedade não é o alvo. A exemplo disso vê-se muitos cancelamentos em defesa de minorias que não trazem a condição dos mesmos grupos em sociedade à pauta tornando problemas coletivos em individuais e personalizados. Também, tal cultura se mostra perversa, visto que os “cancelamentos” são desiguais. O indivíduo sofre nessa lógica mas não os grupos que financiam seu pensamento, o grau de cancelamento geralmente varia muito em função do gênero e origem social, sem contar com a espetacularização de algo que em tese é uma correção.
A cultura do cancelamento, portanto, é um fenômeno clássico da pós-modernidade. Essa demonstra um interesse legítimo de união em sociedade com tendências individualizantes dos problemas coletivos. Nesse sentido, o amadurecimento a cerca da compreensão de como funcionam demandas em grupo, sua práxis em geral e a ideia de organização em essência é o que falta à cultura do cancelamento, tornando-na assim, somente mais uma ilusão de vínculo social em tempos de liquidez de das relações.