Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/01/2021
A série “control Z”, da netflix, mostra que a internet pode esconder muitos segredos sobre as pessoas. Nesse contexto, o “cancelamento” consiste na prática de boicotar pessoas públicas nas redes sociais, devido a coisas não aceitas pela maioria que tenham sido ditas ou praticadas por elas. Inicialmente, a prática era feita apenas por motivos graves e por falas ou ações recentes do “cancelado”, contudo, isso vem mudando e as pessoas vêm querendo cancelar qualquer um por quaisquer motivos, como no caso do youtuber Felipe Neto, que já foi cancelado por tweets que postara anos atrás. Referente a isso, é necessário que órgãos do governo tomem providências para amenizar essa cultura do cancelamento.
É possível afirmar que a prática do cancelamento não se mostra eficaz na maioria das vezes, pois como acontece com famosos na grande maioria das vezes, não há qualquer garantia de que eles parem de praticar tais atos, podendo continuar e apenas não tornar isso público. Além disso, também há pessoas que utilizam o cancelamento como estratégia para se popularizar, tendo o mesmo pensamento atribuído a Maquiavel, de que “os fins justificam os meios”, pois não pensam que o cancelamento de uma figura pública por um erro sem muita relevância pode afetá-la irreversivelmente. Portanto, vê-se que o cancelamento que deveria ajudar, de modo a punir pessoas que praticaram atos que feriram a outrem, se tornou uma prática tola da internet.
Ademais, em “microfísica do poder”, o escritor Michel Foucault diz que o poder não está concentrado em ninguém, mas sim espalhado numa rede, que transcende os indivíduos, e se mantém coeso pelos discursos presentes na rede. Assim, boicotar alguém específico não fará com que os atos e pensamentos que o levaram a sofrer tal boicote se extingam por com-pleto, pois com certeza o boicotado pertence a um grupo preso a um discurso, que faz com seus integrantes pensem e ajam de maneira similar ou igual a do cancelado. O único jeito de se extinguir totalmente esses discursos seria intervindo diretamente no cotidiano desse grupo.
Desse modo, vê-se que o cancelamento não é algo aconselhável, salvo em casos de motivos extremos, como racismo, homofobia ou intolerância religiosa, por exemplo. No entanto, mesmo nesses casos há outras alternativas, visto que tais práticas são consideradas como crimes no Brasil. Assim, para reduzir a popularidade dessa cultura de cancelamento, praticada por motivos fúteis, o MEC deveria, por meio de uma reforma na grade curricular das escolas, promover mais aulas com debates e noções de ética para os alunos, para que assim, as pessoas aprendessem mais a conviver com opiniões diferentes e a respeitá-las. Por conseguinte, a propagação de ódio gratuito na internet diminuiria, bem como as práticas egoístas de se popularizar por meio do cancelamento de famosos.