Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/01/2021
O golpe militar de 1964, ocorrido no Brasil, foi instaurado com a premissa de combate as ameaças da supremacia ideológica comunista. Esse movimento logo se transformou em um meio de reproduzir censura e impor poder. Tal fato histórico pode ser relacionado à sociedade contemporânea no que se diz respeito à problemática relativa a cultura do cancelamento. Essa, gerada pela ineficiência das redes sociais e que ocasiona a privação de liberdade de expressão dos indivíduos.
Em primeira análise, é indubitável que empresas como ‘Twitter’ e ‘Facebook’ não são capazes de exercer um controle de conduta perante um contigente de bilhões de pessoas. Diante disso, torna-se cargo dos próprios usuários a missão de estabelecer um papel de justiça. Inicialmente, essa posição permitiu o combate à injustiças sociais que eram presenciadas antes mesmo do advento das redes. Todavia, a falta de uma normatização pautada na ética tornou aquele ambiente, até então pacífico, em palco de lichamento virtual.
Por conseguinte, o cancelamento nas redes causa injustiças e a privação da liberdade de expressão. Segundo Michael Foucault, o poder não se institui por meio de um órgão central, mas sim pelas interações sociais, as quais são pautadas por um discurso. Esse, por sua vez, tende a sobrepor-se sobre quaisquer outro. Diante do anteposto, uma pessoa que, por exemplo, seja mal interpretada diante de algum fato sofrerá retaliações virtuais, de forma a gerar um ambiente em que as pessoas abrem mão da sua liberdade de expressão com temor de tornarem-se mais uma vítima.
Portanto, pode-se inferir que a cultura do cancelamento é um tema relevante e que carece de soluções. Sendo assim, cabe às empresas de redes sociais, por meio de financiamento, elaborar campanhas publicitárias que tragam a tona a discusssão da responsabilidade social em ambientes virtuais, a fim de conscientizar os seus usuários sobre os riscos diversos associados ao lichamento virtual. Assim torna-se possível o trânsito livre de ideias, evitando que a censura ditatorial repita-se em novo formato.