Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/01/2021

Na obra, ‘‘Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, o autor faz uma reflexão por um prisma distópico, isto é, descarna as atitudes irreverentes, porém que podem ser reconciliadas por meio da compreensão e ruptura da zona de conforto que, por sua vez, desvela caráter ignorante. Desse modo, a contemporaneidade revela-se como uma atmosfera permeada de incompreensões e discursos alienáveis, mas também possui uma veemente inflexão de pensamentos e ideologias, sendo assim a moldura para a constituição da cultura do cancelamento. Logo, é oportuno reverberar sobre essa prática social e como pode se desdobrar de maneira virtuosa ou maléfica.

Sob essa ótica, é de suma importância evidenciar que a cultura do cancelamento está em ascensão e, por consequência, acarreta em uma série de crises no mundo sociovirtual. Dessa forma, a tendência de excludência de indivíduos do meio virtual é mais do que uma forma de correção e sim uma repressão atroz que se cega para as divergências inerentes nos civis. Analogamente, ao mito grego dado como “O mito de procusto”, o personagem busca de maneiras abruptas e desumanas encaixar as pessoas em seus padrões, não abrindo espaço para o conhecimento das diferenças. Portanto, é preciso que seja dialogado em redes sociais os posicionamentos extremistas e como humaniza-los.

Outrossim, tal cultura demonstra um lado positivo da flexibilização das redes, o qual é a transformação de ideias que, em sua faceta, possuía um discurso intolerante ou discriminatório, fomentando assim uma metamorfose de paradigmas fundamentados na hipocrisia. Além disso, o pensador espanhol, George Santayana, afirma que é necessário reconhecermos o passado, ao contrário estaremos fadados a repeti-lo. Ademais, torna-se lúcido a necessidade de repostulação dos próprios atos, procurando um modo mais harmônico na sociabilidade e no autoconhecimento.

Em síntese, a cultura do cancelamento age de maneira transgressiva, no entanto, desemboca em desnaturalizar algumas posturas e estruturas sociais. Urge que o Ministério da Educação em conjunto com figuras públicas disseminem políticas públicas nas redes telecomunicativas e em espaços escolares, demonstrando a maneira coerente de se portar diante de um caso de cancelamento e como evitar o escárnio e extremismo presentes nesses contextos. Dessa maneira, possibilitando a abertura para a dialética e conciliar o reconhecimento do adverso, a fim de lapidar uma sociedade harmoniosa e desprendida de estigmas que ofuscam uma visão embasada.