Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/01/2021
A escritora J. K. Rowling foi acusada de transfobia após seus comentários nas redes sociais, por isso, empresas vinculadas a ela foram pressionadas a romper contratos, como uma forma de responsabilizá-la. Embora tenha se manifestado nos Estados Unidos, a cultura do cancelamento também é comum no Brasil e provoca a discussão de temas sociais antes ignorados, mas não se mostra eficaz para resolver questões tão enraizadas socialmente.
Em primeiro plano, observa-se que o cancelamento gera discussões importantes sobre questões que geralmente não são temas de debate, além de induzir reflexões sobre realidades distintas das demais, desenvolvendo a empatia nas pessoas. Após as manifestações da autora de Harry Potter, a transexualidade ficou em voga e foi finalmente possível ouvir essas vozes tão inaudíveis rotineiramente.
Por outro lado, é importante reconhecer que a cultura do cancelamento não resolve os problemas estruturais de cunho social, porque ainda é uma ferramenta rasa de desconstrução de valores retrógrados, visto que existe um abismo do acesso à internet, onde é manifestada. No Brasil, a desigualdade econômica acentua a exclusão digital e impede o acesso às informações para a maioria da população. Dessa forma, é inadmissível que uma pessoa sem acesso à informação e com pensamentos culturais ditos ultrapassados seja cancelada, porque ela é também vítima dos problemas estruturais da sociedade.
Destarte, é incontrovertível que haja medidas públicas para gerar a reflexão nos brasileiros de forma mais abrangente. É fundamental, portanto, que o Estado, por meio de campanhas publicitárias, propague a grande variedade da sociedade brasileira, de forma a incitar a empatia na população, assim como promovendo discussões nas escolas, com o intuito de mudar pensamentos que são, muitas vezes, destrutivos para algumas parcelas sociais.