Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/01/2021
Segundo o sociólogo brasileiro Herbert de Sousa, a cultura é um fator decisivo para qualquer nação. Sob esse viés, nota-se a vasta importância do fator cultural não apenas como uma marca de identidade, mas támbem como algo capaz de gerar profundas mudanças no país e, por conseguinte, na vida da população. Nesse sentido, percebe-se o lamentável estado em que se encontra o Brasil contemporâneo uma vez que ele se encontra estigmatizado pela chamada cultura do cancelamento. Decerto, tal situação é extremamente prejudicial em virtude de dois fatores principais: a grande valorização e importância da imagem pública e a vasta influência e eficiência midiática.
Em primeiro plano, é importante destacar a valorização e a importância da imagem pública como um dos pontos mais vulneráveis aos malefícios da cultura do cancelamento. Verdadeiramente, sabe-se que já na Idade Antiga, aristocratas denominados patrícios pagavam os clientes com o intuito de estes promomoverem a visibiladade e influência daqueles. Dessa forma, a maculação da reputação de algum indivíduo em decorrência desse entrave pode prejudicar, permanentemente, a vida laborial, social e individual de uma pessoa tendo em vista que atualmente, de uma maneira similar à Antiguidade, uma boa notoriedade é equivalente à competência e ao prestígio.
Ademais, vale ressaltar a vasta influência e eficiência midiática como outro fator que vulnerabiliza o povo brasileiro perante a cultura do cancelamento. Certamente, em virtude do advento do processo de globalização, tornou-se muito mais fácil e rápida a troca e a disseminação dos fluxos imateriais. Consequentemente, algo que, por exemplo, ocorreu na Oceania pode ser conhecido, em questão de segundos, por povos habitantes da América. Assim, um acontencimento que manche a imagem de alguém municipalmente, pode, por intermédio da mídia, tornar-se assunto nacional e, algumas vezes, mundial. Dessarte, várias vítimas desse mal podem passar a sofrer discriminação, perder o emprego, ser afetadas por disturbios mentais e, até mesmo, cometer suicídio.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que abrandem essa situação. Posto isso, é mister que a própria mídia, a partir de incentivos fiscais, lance campanhas publicitárias com o objetivo de diminuir a influência da cultura do cancelamento por meio da apologia ao sentimento de empatia. Tal providência será direcionada, principalmente, aos meios de comunicação em massa com o intuito de atingir um grande número de pessoas o mais rápido possível. Além disso, é preciso que o Ministério da Infraestrutura, em parceria com o Ministério da Fazenda, crie órgãos que tenham como objetivo acolher e auxiliar as vítimas dessa situação a fim de atenuar essa problemática. Afinal, como já dizia Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim as reações a elas.