Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/01/2021
Nos dias de hoje, as redes sociais, como o Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, entre outras, (em específico o Twitter), servem como meio de transmissão de vídeos e fotos engraçados, conhecimento acadêmico, propagandas de diversas marcas nacionais ou internacionais em anúncios e, principalmente, transmissão de discursos socio-políticos (entre estes discursos, a cultura do cancelamento).
Tal cultura do cancelamento serve como informação e exposição a respeito de alguma ação praticada por uma pessoa; sendo a ação julgada antiética e penalizada com o linchamento virtual no perfil do indivíduo cancelado pelos internautas. O cancelamento pode ser benéfico para a sociedade quando é feito de forma racional e justa, mostrando o erro cometido e transmitindo a forma que este erro afeta a sociedade e os indivíduos. Na maioria das vezes isso não acontece quando tira-se o contexto de alguma ação praticada pela pessoa em questão. Por exemplo, o produtor de conteúdo do YouTube “Luba”, do canal de humor “LubaTV”, foi diversas vezes cancelado por vídeos seus tirados de contexto onde o próprio Luba se retratou e argumentou a respeito em vídeo. Tal forma de cancelamento é uma prova da modernidade líquida de Z. Bauman, pois as ações injustas desses internautas que se mostram apenas interessados em quantas curtidas vão ganhar em suas publicações, inflando os seus egos com polígonos e pixels aumentando na tela de seus monitores. Banalizando, dessa forma, a vida e saúde mental de um indivíduo.
Não é pelo fato de se estar em uma rede social na internet que não se pode afetar alguém na vida fora da internet. Esse é um problema que deve ser discutido e posto em prática na educação básica de ensino médio brasileira, inicialmente como proposta extracurricular e, depois, como estudos e reflexões em ética e filosofia política nas aulas de Filosofia e Sociologia. A Base Nacional Comun Curricular (BNCC), que traz as competências que devem ser postas em prática pelas instituições de ensino do Brasil, precisa se atualizar em competências referentes as redes que milhares de pessoas usam e são afetas.